Jundiaí

Saúde local se reorganiza para combater covid-19

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Crédito: Reprodução/Internet
Combater uma pandemia é uma missão que exige estratégia e organização. Em Jundiaí foi necessário repensar todo o sistema de saúde para que fosse possível atender a demanda de casos suspeitos e infectados pelo covid-19. De acordo com o gestor da Unidade de Gestão de Promoção da Saúde, Tiago Texera, o atendimento foi pensado seguindo lógicas de proteção a pacientes e funcionários. “Toda a rede de saúde se reestruturou para a assistência ao covid-19. Para isso estabelecemos portas de entrada para concentrar as pessoas com síndrome gripal em um só ambiente evitando a dispersão do vírus”, explica o gestor ao mencionar o funcionamento das Unidades de Sentinela. No total, Jundiaí possui 16 pontos de atendimento para o covid-19, cada um com uma finalidade específica, entre eles, há quatro Unidades de Sentinela (US’s) voltadas para a triagem de munícipes que apresentarem sintomas de síndrome gripal como febre, tosse e coriza e cinco Pronto-Atendimentos (PA’s) para aqueles que, além dos sintomas gripais, apresentarem dificuldade para respirar. As sentinelas se localizam em Unidades Básicas de Saúde (UBS’s) que receberam uma estrutura especial para atender os pacientes sintomáticos. Nesses estabelecimentos, o acolhimento e a triagem é realizada por profissionais paramentados que fazem exames básicos a fim de identificar um possível caso de coronavírus. Caso haja necessidade, o paciente é encaminhado para passar por exames mais completos e, quando os resultados apontam sinais assertivos, como síndrome de respiração aguda grave (SRAG), o enfermo é encaminhado para os hospitais públicos. Casos graves Para recepcionar os casos mais graves, Jundiaí possui três hospitais públicos referenciados. São eles o Hospital São Vicente; o Hospital Universitário e Hospital Regional, sendo este último utilizado apenas como apoio de retaguarda. Há ainda quatro hospitais privados: o Hospital Paulo Sacramento, a Unimed, o Hospital Santa Elisa e a Sobam. Uma das medidas estabelecidas pelo Comitê de Enfrentamento ao Coronavírus (CEC) foi padronizar o manejo dos pacientes com covid-19 tanto nos hospitais públicos quanto nos privados. Em média, oito pacientes com suspeita de coronavírus chegam ao HSV por dia. Desse volume, aproximadamente três necessitam de internação. Por isso nos hospitais os munícipes passam por procedimentos estabelecidos via protocolo. É o que explica o diretor clínico no Hospital São Vicente, Frederico Michelino. “Realizamos uma avaliação intra-hospitalar para detectar o quadro do paciente. Assim, conseguimos receber o paciente com toda a atenção e procedimentos médicos necessários”, diz o especialista. Além do acolhimento dos munícipes, Jundiaí também se prepara para atender parte da população das demais seis cidades que compõem o Aglomerado Urbano de Jundiaí (AUJ). Isso porque o Hospital São Vicente, por ser de alta complexidade, dá suporte à região recebendo os casos que venham a necessitar de internação. Segundo Texera, os órgãos de saúde da cidade poderão se responsabilizar pela vida de aproximadamente 800 mil pessoas. "Temos que levar em conta que 50% de todo o contingente populacional do AUJ não possui convênio médico, ou seja, é dependente do Sistema Único de Saúde (SUS) e, caso seja infectado com coronavírus, poderá ser encaminhado para o São Vicente", pontua ressaltando a importância da compreensão da população. Este é um ponto que também preocupa Michelino. “Nosso principal desafio é a falta da adesão ao isolamento social. Não há uma perspectiva de como a epidemiologia vai se comportar. A doença possui cinco dias de incubação, o que reflete no hospital após esse período, com o aumento no número de casos. Se a população não permanecer em isolamento, a demanda irá crescer e o hospital não irá comportar”, alerta. Hoje a cidade conta com 236 leitos de Unidade de Tratamento Intensivo (UTI). Dentre esses, 117 pertencem ao HSV. Segundo a instituição, até a última quinta-feira (16) apenas 33 leitos de UTI estavam ocupados, o que significa que ainda há 72% de capacidade de internação. Vale ressaltar que, quando 80% da capacidade total for atingida, novas alas poderão ser destinadas a internação de pacientes com covid-19. Caso haja necessidade, ainda existe a possibilidade de contar com o hospital de campanha do Grupo de Artilharia e Campanha (12º GAC), capaz de oferecer mais 50 leitos de apoio. Contra o vírus, 5 mil profissionais Os profissionais da área de saúde de Jundiaí, entre eles colaboradores dos hospitais públicos, prontos-atendimentos (PAs) e servidores da Prefeitura de Jundiaí, somam 5 mil pessoas que estão, nesta pandemia, atuando na linha de frente contra a doença que vem assolando o mundo. Eles são médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, auxiliares, assistentes administrativos, odontólogos, técnicos em laboratório, farmacêuticos, motoristas, atendentes, vigias, além das equipes de manutenção e de limpeza: todos dando apoio para combater o novo coronavírus. “São profissionais que, acima de tudo, amam a profissão e nela encontram a forma de cuidar, de se doar ao próximo. Devemos a estes profissionais nossa gratidão e respeito, pelo trabalho que estão desenvolvendo”, comenta o prefeito Luiz Fernando Machado. Com o avanço da doença em todo o País, são esses os trabalhadores que, assim como as instituições onde atuam, que recebem o impacto dos números de casos suspeitos e positivos de covid-19, derivados do não isolamento social. “Quem pode, fique em casa, pelos seus familiares e pelos familiares daqueles que trabalham por vocês”, resume o gestor da Unidade de Gestão de Promoção da Saúde (UGPS) Tiago Texera.

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