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Segurança e custo-benefício mudam perfil dos moradores

Kátia Apollinário | 19/01/2020 | 05:00

A busca por moradias capazes de proporcionar segurança e bom custo-benefício tem refletido diretamente no mercado imobiliário. Em Jundiaí, por exemplo, a quantidade de casas à venda tem sido cada vez maior, principalmente em bairros nobres como Jardim Paulista, Brasil ou Ana Maria. Ao mesmo tempo, tem se observado a multiplicação de casas e apartamentos em condomínio.

De acordo com Sindicato da Habitação (Secovi-SP), no ano de 2019, o lançamento de imóveis para venda teve um crescimento de 68,3%. Os aluguéis, por sua vez, tiveram alta de 3,89% nos valores de locação residencial.

A alta dos preços confirma a recuperação do mercado imobiliário. Isso é o que afirma o presidente da Associação das Empresas e Profissionais do Setor Imobiliário de Jundiaí e Região, Paulo Oliva. “A crise econômica refletiu no mercado de construção civil, que agora teve uma retomada muito grande. Um exemplo disso é que no ano de 2018 a construção civil alocava 10% da mão de obra da capital e, no final de 2019, chegamos a uma alocação de 17%”, ressalta.

O gestor de Planejamento de Jundiaí, Sinésio Scarabello Filho, afirma que vivemos em um momento de transição de gerações. “Entendo que a cidade é o local do encontro e não de um lugar de refúgio. Portanto, é normal que ainda existam pessoas que querem se abrigar em condomínios fechados, por questão de segurança. Entretanto, uma nova geração chega e ela não quer ser proprietária de nada. Está interessada em ocupar espaços públicos e coexistir. Entendo que esta é uma solução com melhor qualidade de vida.”

O gestor cita o bairro do Eloy Chaves, que possui autonomia e condições de ter uma vida ainda de coexistência nas ruas. “A própria independência do bairro permite que as pessoas ocupem o espaço público, vivam em comunidade e tenham de volta os benefícios desta vizinhança.”
Mas o que vale mais a pena? Morar de aluguel ou investir na casa própria? Essa é uma dúvida comum para quem está procurando por moradia.

Para a dona de casa Maria Arlene Pilão Brunelo, de 74 anos, a segurança vem em primeiro lugar. “Eu fui criada no Engordadouro em “casa de bairro”, uma região bem perigosa. Agora estou morando de aluguel em um apartamento em condomínio fechado por questões de segurança”, afirma a senhora que não se arrepende da sua escolha. “A tranquilidade que a gente sente quando fecha a porta é outra”, completa.

A analista administrativa Letícia Cazati Pereira, de 23 anos, por sua vez, se casa no próximo ano e decidiu começar a vida ao lado do marido em um apartamento alugado por motivos financeiros. “Fiquei em média 12 meses pesquisando o que seria melhor para mim e meu futuro esposo e enfim chegamos a conclusão que alugar seria a melhor decisão. Após esse período ficamos em média seis meses buscando um apartamento para alugar, que fosse do jeito que queríamos, tivesse a segurança que desejávamos e principalmente que coubesse no nosso orçamento financeiro”, afirma.

A desconstrução da ideia de que ter um imóvel próprio não é mais uma necessidade é comum entre os jovens, e segundo Oliva, ditará o futuro do mercado imobiliário.

CONCEITO E ESTÉTICA
Da mesma forma que o comportamento do consumidor está em constante mudança, a arquitetura das construções também está. É o que conta o arquiteto Araken Martinho. “A criação de espaços é definida pelo modo de produzi-la, tijolo ou placa pré-fabricada, mas também é muito pela organização da sociedade. Recebemos visitas hoje em casa, compramos no armazém da esquina, trabalhamos no centro comercial e se tudo mudou, o modo de ter seu espaço privativo também“, reitera, valendo-se sobre a importância dos materiais utilizados.

Esse conceito também adentrará as casas, de acordo com o designer de interiores, Fernando Castiglioni. “A tendência no design, de acordo com meu ponto de vista, será a desconstrução, a descombinação e a mistura muito bem trabalhada dos materiais e estilos”, afirma.

 


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