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Sem aulas, casos de maus-tratos têm queda de 31%

Kátia Appolinário | 24/06/2020 | 10:00

Durante o isolamento social e a suspensão das aulas presenciais, as denúncias de maus-tratos contra crianças tiveram queda de 31% no interior paulista segundo dados da Secretaria de Segurança Pública (SSP). De fevereiro a abril do ano passado foram registradas 63 ocorrências. No mesmo período deste ano, houve 43 registros, queda ligada diretamente à suspensão das aulas por conta da pandemia do coronavírus. De acordo com o Ministério Público, em nível estadual a queda foi de 37,4%: 817 casos em 2019, contra 511 nos últimos três meses.

Os números são reforçados pela conselheira tutelar Cláudia Tofoli Honório, que integra a unidade III do órgão, responsável pelo atendimento na região do Eloy Chaves. “Por já possuírem um contato mais próximo com as famílias e também por acompanharem as crianças e adolescentes diariamente, as escolas são grandes parceiras dos conselhos tutelares. Inclusive, são instituições que nos ajudam a saber se estamos lidando com uma família protetiva ou não”, explica.

De acordo com a Unidade de Gestão de Educação (UGE), as equipes escolares passam por contínua formação de educação emocional para que os adultos consigam perceber na convivência e nas conversas com as crianças os sinais que elas dão. Esses sinais podem ser tristeza, acanhamento, agressividade, isolamento ou vontade de querer contar e procurar um adulto com o qual se identifique na escola.

ENFRENTANDO A OMISSÃO

Ao contrário dos casos de agressão envolvendo adultos, as crianças não sabem como reagir para que a situação de maus-tratos seja interceptada por terceiros e, na ausência da vivência escolar, a omissão se torna uma triste realidade. É o que explica o defensor público e coordenador da Regional de Jundiaí, Fábio Jacintho Sorge. “Em muitos casos, por exemplo, o pai agride a criança, mas a mãe omite o fato e, como a criança não está saindo de casa, ninguém testemunha esse acontecimento. Por conta disso, a maioria dos casos realmente só é notado no ambiente escolar por ser um local em que a criança se sente acolhida para falar ou mesmo onde os professores identificam algum sinal de comportamento anormal”, diz.

Sorge orienta ainda que a atenção a quaisquer sinais apresentados pelas crianças deve ser redobrada durante este período. “Os parentes que notarem algo de errado devem procurar o Conselho Tutelar e relatar o caso. Todas as ações serão tomadas pelo órgão responsável”, sugere.

 

DENÚNCIAS
Nos casos identificados em ambiente escolar, a UGE informa que existem protocolos para a identificação de crianças que possam estar passando por maus-tratos. Inicialmente, as famílias são contatadas para conversas registradas em atas e, sendo identificada a necessidade, órgãos como o Conselho Tutelar, o Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA) e órgãos de proteção são acionados para que seja feito o acompanhamento da criança e tomadas as medidas pertinentes.
No caso de abuso sexual, além das comunicações necessárias, é efetuado um trabalho em conjunto com a Unidade de Gestão de Promoção da Saúde (UGPS).

SERVIÇO
As denúncias podem ser realizadas anonimamente via Disque 100 ou mesmo diretamente aos Conselhos Tutelares através dos telefones: 4521-4608; 4526-7726; ou 4522-0324.

 

FABIO JACYNTHO SORGE
COORDENADOR DA DEFENSORIA PUBLICA DE JUNDIAI


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