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Sem fôlego, demora de crédito é dúvida para os empresários

DA REDAÇÃO | 03/04/2020 | 05:00

O coronavírus não apenas desestabilizou o sistema de saúde, como também tem devastado a economia em nível mundial. Na tentativa de dar fôlego às micro e pequenas empresas, que por hora, são as mais vulneráveis, nesta semana o governo federal divulgou novas medidas de enfrentamento à crise. Segundo comunicado da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), o acesso ao crédito bancário ainda é o maior entrave. Os bancos, por enquanto, mantêm juros abusivos, acima de 13%.

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) disponibilizará às startups uma linha de crédito de R$ 5 bilhões para a ampliação do capital de giro que, de acordo com o diretor do Ciesp-Jundiaí (Centro de Indústrias do Estado de São Paulo), Marcelo Cereser, é imprescindível para a manutenção das empresas. “A falta de capital de giro acarreta na redução do exercício industrial como um todo, desde a negociação com os fornecedores à mão de obra”, explica.

De acordo com o engenheiro especializado em gestão para sustentabilidade empresarial e engenharia econômica pela Faculdade Getúlio Vargas, Antônio Jorge Martins, todos os setores sofrerão com a recessão econômica. “Essa crise é fruto das consequências do atual processo de isolamento. Os setores que possuem maior empregabilidade tendem a ser mais afetados. As indústrias automotivas, por exemplo, que exigem uma mão de obra mais expressiva tendem a serem impactadas de forma mais significativa. Isso também porque não é um setor que pode desfrutar amplamente das vendas on-line, e isso tende a desencadear grandes dificuldades”, exemplifica, reiterando que existe a tendência de ausência de receita por até três períodos nas indústrias.

“As empresas continuam com extrema dificuldade para obter crédito. O Tesouro Nacional precisa ser o garantidor das operações entre empresas e bancos neste momento. Só assim o mercado será irrigado com recursos, e o dinheiro chegará a quem precisa. O crédito é fundamental para que as empresas sobrevivam e possam garantir os empregos durante a crise e também na volta à normalidade”, afirmou o presidente da Fiesp e Ciesp, Paulo Skaf.

COMÉRCIO
Para o presidente do Sincomercio e da Câmara de Dirigentes Lojistas de Jundiaí (CDL), Edison Maltoni, a saída da crise está também relacionada ao comportamento do consumidor. “Ainda que a retomada das atividades comerciais esteja prevista para o dia 8 de abril, sabemos que o consumo dependerá da população. Em um primeiro momento pode ser que não haja lucro, e que os serviços se recuperem gradualmente”, diz.

Maltoni reforça que este é um momento em que o empresário deve utilizar sua criatividade para superar as dificuldades. “Temos que nos adaptar a este momento e utilizar os recursos que temos ao nosso favor, renegociar contratos e salários, fazer um bom planejamento para os próximos meses e investir no e-commerce que é uma ótima ferramenta”, ressalta.

POSTOS DE TRABALHO
Segundo o Sebrae, mais de 12,3 milhões de negócios foram afetados, o que interfere na vida de mais de 46,6 milhões de trabalhadores.

Para minimizar o impacto da classe trabalhadora e os custos de mão de obra por parte das empresas, o governo federal adotou um programa antidesemprego, que tem como objetivo facilitar as negociações e manter os postos de trabalho ativos. A medida prevê a adoção de práticas alternativas, como o home office, antecipação de férias individuais e até a redução proporcional de salários e jornada de trabalho, medidas decisivas diante da crise.

 Marcelo Cereser explica a importância do capital de giro para as indústrias

 

Edison Maltoni acredita que o comércio irá se recuperar gradualmente


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