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Sem vacina, 46 mil pets ficam sob risco de raiva

Thiago avallone | 07/11/2019 | 05:00

O caso de raiva detectado em um morcego no começo da semana na Ponte São João, despertou a preocupação nos jundiaienses. Até 2018, o município fazia anualmente, em agosto, a campanha de prevenção contra a doença. Porém, este ano o Ministério da Saúde, responsável pela distribuição das vacinas para os estados brasileiros, não forneceu para São Paulo, deixando o estado sem o medicamento.
No ano passado, a equipe da Unidade de Vigilância de Zoonoses (UVZ), órgão ligado à Unidade de Gestão de Promoção da Saúde (UGPS), espalhou ao todo 157 postos de imunização, na cidade, entre fixos (94) e itinerantes (63), para vacinar cães e gatos de Jundiaí. Cerca de 46 mil animais foram vacinados.

Os atingidos diretamente pela falta de vacina na cidade são os donos de pets e cuidadores de animais.
Pamela Prieto, cuidadora de animais, tem 13 cães e lamenta a falta da medicação. “Este ano não teve vacinação contra raiva em Jundiaí. Acredito que algumas clinicas veterinárias estavam fazendo essa vacinação com preço mais acessível. Quem pode pagar essa vacina pagou, quem não pode, os pets ficaram sem vacinar. Infelizmente, a cidade não fez a campanha esse ano ano”, lamentou a cuidadora.

O veterinário Guilherme Pereira explicou que, apesar de o governo não ter concedido os medicamentos, as clínicas veterinárias privadas da cidade contam com a vacina e vendem por um valor médio de R$50.

“É imprescindível que os animais sejam imunizados. O principal é a prevenção, independentemente do tamanho do animal. Se for mamífero, já corre o risco de pegar a doença, por isso é muito importante atualizar a vacinação”, explicou Guilherme.

No início de 2019, Jundiaí adotou modelo de agendamento para ofertar as doses remanescentes em estoque da Unidade de Vigilância de Zoonoses (UVZ) e garantir o total uso do imunobiológico recebido para atendimento de rotina

Segundo o gerente da UVZ, Carlos Ozahata, todos os anos são registrados casos da doença em morcegos na região. Mas o Programa Municipal de Vigilância da Raiva atua na cidade para prevenir e alertar sobre o tema.

“A raiva não é uma doença epidêmica, mas preocupa, porque é fatal. Há muitas décadas não temos casos da doença em seres humanos, e isso ocorre exatamente pelas atividades de observação, cuidado e prevenção feitas na cidade. É importante lembrar às pessoas que, ao verem um morcego agindo de forma anormal, ou seja, voando durante o dia, parado na cortina de suas casas ou caído no chão, para não tocar. O ideal é tentar isolar o animal, tentando colocar uma caixa ou um balde por cima, e ligar para o bombeiro ou para a zoonose da cidade para ir recolher o animal. Assim, poderão fazer análise. Além disso, o simples toque num morcego contaminado já é o suficiente para transmitir a doença, que, para o ser humano, pode ser fatal”, concluiu Ozahata.

Ministério da Saúde

O Ministério da Saúde disse que foram identificados problemas técnicos na produção da vacina e, por isso, aguarda a entrega do laboratório fornecedor. As doses serão enviadas aos estados (e depois aos municípios) assim que a produção for normalizada.

A Secretaria Estadual de Saúde disse que para agosto foram solicitadas 1,5 milhão de doses da vacina para animais. Porém, até o momento, ainda não indicou quando serão enviadas.

 


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