Jundiaí

Sensação de abandono causa reações extremas

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Crédito: Reprodução/Internet
Um caso divulgado na última sexta-feira (18) chocou os moradores da região. Uma mulher de 25 anos jogou a filha recém-nascida de uma altura de mais de sete metros em um terreno baldio nos fundos da casa da tia, em Várzea Paulista. A criança, que estava envolta de um saco plástico, morreu e a mãe, que foi socorrida por familiares – que não sabiam que ela estava grávida pois ela estava escondendo o fato -, foi levada ao Hospital Universitário, em Jundiaí. A mulher ficou presa por um dia e passou por uma audiência de custódia. Hoje, responde em liberdade pelos crimes de homicídio qualificado e ocultação de cadáver. A reação das pessoas quando veem uma notícia como essa é variada. A maioria fica indignada com a situação, contudo, é importante entender os motivos que levaram a mulher a cometer um ato como esse. A psicóloga Juliana Kazue Nakasaki explica que não há um motivo específico que explique por que uma mulher abandona um recém-nascido. “O que geralmente acontece é que o vínculo mãe e bebê não se estabelece de forma adequada. Depressão pós-parto, o bebê ser fruto de abuso sexual ou de um relacionamento extra-conjugal e repressão da família são alguns fatores que influenciam a mulher nessa decisão”, afirma. Juliana ainda ressalta que é preciso fazer uma avaliação minuciosa na paciente, para ter certeza do que ela sentiu no momento. “Acho importante deixar claro que são casos muito delicados e únicos. Cada pessoa sente e reage de forma diferente. Por isso os casos exigem uma avaliação psicológica e psiquiátrica minuciosa”, completa. O comunicador e especialista em comportamento familiar Plinio Teodoro explica que é difícil definir uma causa, mas dentro da psicologia, é possível observar que geralmente há algo dentro das relações familiares que levam a mulher a ter uma propensão a realizar atos como esse. “Durante o processo de gestação, desde a concepção até o pós-parto, a mulher passa por um período muito delicado, pois as funções hormonais dela se desequilibram. Isso gera uma mudança fisiológica muito grande. Além disso, tem a parte comportamental, que está ligada à criação e ao desenvolvimento da pessoa’, conta. O especialista ainda comenta sobre a questão do abandono familiar. “Quando você abandona alguém, inconsequentemente tem um indício de que foi abandonado também. Você se sente abandonado e reflete isso em outra pessoa, pois essa é a referencia que eu trago comigo”, explica. “Isso mexe com o psicológico de uma mulher. Todo o processo de gerar um filho transforma a mulher, causando uma confusão muito grande na mãe e na família. O que leva uma pessoa a cometer esse ato de “abandonar” um filho dessa maneira é a questão fisiológica aliada a história da família e da mulher”, completa Plinio. Especialista em Medicina Fetal do Hospital Israelita Albert Einstein, obstetra Rita de Cássia Sánchez, fala sobre situações de risco que podem ocorrer em um parto domiciliar. O primeiro é menos complicado, quando o trabalho de parto para porque a mulher não está dilatando corretamente. Mas os principais riscos são hemorragia materna pós-parto e diminuição da oxigenação para o bebê na fase final do nascimento. “Quando ocorre a hemorragia uterina, você pode perder a paciente se ela não for atendida adequadamente em 30 minutos”, diz. [caption id="attachment_70879" align="aligncenter" width="363"] A psicóloga Juliana Nakasaki explica que às vezes o vínculo mãe e bebê não se estabelece de maneira adequada[/caption]

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