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Seu filho sofreu abuso durante as férias? Pergunte

FÁBIO ESTEVAM | 06/08/2019 | 05:00

Se o seu filho, criança, passou as férias longe de casa, com parentes, amigos, ou mesmo coleguinhas de escola, é bom ficar atento a mudanças de comportamento dele. Com a volta às aulas há poucos dias, a DDM (Delegacia de Defesa da Mulher) de Jundiaí já tem registrado aumento nas denúncias de suspeita de estupro de vulnerável. De acordo com a delegada especializada, Renata Yumi Ono, é nesse período de recesso escolar que muitas crianças sofrem abusos. “E o resultado já está aparecendo, como sempre. Ou a criança se queixa de algo com os pais, ou os próprios pais suspeitam e nos procuram”, afirma a delegada.

“Ainda é recente para números estatísticos, porque as aulas voltaram faz poucos dias. Mas é fato que as denúncias já começaram a aparecer. O que posso dizer é que temos hoje em torno de 15 investigações em curso com essas características”, comenta Renata. “Porém, como o retorno das férias é recente, a maioria dos casos em curso são de férias anteriores, como do início desse ano e algumas do ano passado”, explica.
De acordo com Renata Yumi, longe dos pais as crianças ficam vulneráveis. “É o pai da coleguinha, o tio, o avô, o primo mais velho… Os abusos são cometidos por pessoas que têm a confiança dos pais, mas que acabam intimidando a criança para que não contem nada”, alerta. “Por isso é importante que os pais fiquem atentos e conversem com seus filhos, caso suspeitem de alguma coisa”.

A psicóloga da DDM, Teresa Moreira de Almeida Giolo, é ainda mais enfática com relação à abordagem da criança por parte dos pais. “Não pode ter medo e nem vergonha de conversar com o próprio filho. Sentiu que tem algo errado, então pergunte. Ainda que seja sobre um parente próximo e livre de suspeitas, não importa”, comentou ela.

Atenção
Delegada e psicóloga listaram algumas situações em que os pais devem ficar atentos, tanto para a prevenção, quanto para descobrir se o filho sofreu abuso. No caso da prevenção, é importante a orientação: ensinar, desde criança, o que é certo e o que é errado; não deixá-la sozinha com ninguém; não deixá-la ir sozinha a parques (e isso inclui dentro de condomínios fechados); não permitir que a criança sente no colo de adultos; tomar banho somente com os pais; jamais a criança deve receber presentes ou doces, a não ser que os pais estejam juntos.

“Se o seu filho viajou e chegou em casa com presentes, questione sem medo sobre isso. Por que tal pessoa lhe deu presente (vale para dinheiro e doces, também)? Ela te pediu algo em troca? Como foi que aconteceu? Ela te deu um beijo, onde, no rosto? Ela pegou você no colo?”, orienta Teresa.

No caso de suspeitas, é bom ficar atento: como ela é ameaçada no ato do abuso, geralmente fica com medo do agressor. Isso significa que terá medo de ficar diante dessa pessoa novamente. Fique atento a essas reações temerosas; a criança, quando abusada, se isola, com medo de ser questionada sobre o que aconteceu; criança não sabe guardar segredo, então pergunte; queda de rendimento escolar também pode ser um indício.

Números
Dados estatísticos da SSP (Secretaria de Segurança Pública) do estado de São Paulo apontam para aumento nos casos de estupro de vulnerável registrados pela Polícia Civil em Jundiaí, de janeiro a junho deste ano, se comparado ao mesmo período do ano passado: 33 em 2018, contra 39 neste ano.


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