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Síndrome de Down: é importante incluir

COLABORAÇÃO DE MARIANA CHECONI | 21/03/2019 | 05:04

Hoje, 21 de março, é comemorado o Dia Internacional da Síndrome de Down. Uma das maiores causas desse dia é a luta pela inclusão. Na escola, no mercado de trabalho ou até mesmo na sociedade que muitas vezes é preconceituosa e apresenta receios em relação a quem tem Down.

A síndrome ocorre no momento da concepção e atinge mais de 150 mil pessoas por ano no Brasil. Também pode ser chamada de trissomia do cromossomo 21, um fator genético em que a pessoa possui 47 cromossomos em suas células em vez de 46, como a maior parte da população.

A ONG Bem Te Vi, em Jundiaí, é símbolo nessa luta. O local possui 124 assistidos com idades que variam entre meses de vida e 55 anos. A fisioterapeuta e coordenadora técnica, Viviane Lopes, afirma que as atividades realizadas dependem da idade. “Com os bebês fazemos atendimentos multidisciplinares, são realizadas sessões de fisioterapia e fonoaudiologia. A partir de um ano, inserimos a Terapia Ocupacional. Aos dois anos, terapia psicóloga e a partir dos quatro, psicopedagogia”, explica. A ONG conta com salas de apoio pedagógico e oficinas para que os assistidos tenham diversas atividades durante o período que passam no local.

MERCADO DE TRABALHO
Uma das maiores conquistas para benefício das pessoas que possuem síndrome de Down foi a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência que assegura e promove em condições de igualdade, o exercício dos direitos e das liberdades fundamentais. Com isso, a inserção no mercado de trabalho ficou mais acessível. Renata Rosa, assistente social da Bem Te Vi, conta que a ONG sempre procura ajudar os assistidos a ingressar em um emprego. “Nós perguntamos para cada um o que desejam fazer e a partir disso, fazemos atividades para capacitá-los ao cargo e à empresa em que desejam trabalhar”, explica.

Aos 17 anos, Nathália Driffeneti diz que tem vontade de arrumar um emprego. “Gostaria de trabalhar em uma loja de roupas”, afirma. Sabendo disso, Renata explica que são desenvolvidas atividades como embrulhar roupas e colocá-las em sacolas. Assim, quando for contatada, Nathália já estará capacitada.

Um dos primeiros casos de capacitação que a Bem Te Vi ajudou foi o da Nadieja Fernanda de Freitas. Sua mãe, Alessandra de Freitas conta que a moça, hoje com 31 anos, trabalha há 11 anos no Hospital Paulo Sacramento. “Minha filha fez parte do primeiro grupo de inclusão de pessoas com deficiência intelectual do hospital. Até então, só contratava pessoas com deficiência física. Isso foi muito importante para ela. Fez com que criasse responsabilidades. Ela não tem privilégios. As pessoas conhecem e respeitam suas limitações mas não têm pena ou facilitam o serviço para ela”, afirma. Alessandra conta que essa foi a maior lição de inclusão que aprendeu. “No começo foi difícil. Depois que percebi o quanto ela amadureceu e criou responsabilidades, agradeci pela oportunidade. Isso é inclusão. Permitir que minha filha faça o mesmo serviço que qualquer outra pessoa”, relata.

VIDA ESCOLAR
A vida escolar de uma criança com Síndrome de Down pode ser comum, como a de outros estudantes. Mariangela Castilho conta que a filha, Maria Luiza, de 7 anos, possui a mesma rotina escolar que os colegas, apenas com algumas adaptações curriculares necessárias. “Ela não consegue acompanhar todo conteúdo que a sala recebe, tanto na parte motora como na cognitiva. Com essas adaptações ela aprende no tempo dela e se desenvolve super bem. Tem dever de casa e faz provinhas, assim como as outras crianças”, afirma.

Além da escola, os dias da menina são repletos de atividades que a estimulam. “Ela faz Terapia Ocupacional, frequenta fonoaudióloga e tem ainda uma pedagoga extra de apoio pedagógico, que também trabalha com o método das boquinhas para ajudar na fala e escrita. Além disso, tem aula de música e natação, que faz desde bebê. E o balé, que ela mesma me pediu para fazer”, relata a mãe. Maria Luiza está matriculada em um colégio que possui as adaptações necessárias. Segundo Mariangela, no local ela tem uma auxiliar de apoio e amigos incríveis que respeitam e entendem bem a criança.

O principal desejo dos pais de crianças e adultos com Síndrome de Down é que eles tenham autonomia. Mariangela afirma que essa é uma das preocupações na criação de sua filha. “Eu e meu marido criamos a Maria Luiza para que ela tenha uma vida autônoma no futuro, levamos muito em viagens e passeios, pois acreditamos que o lazer é muito importante também. Ajuda a entender como é viver em sociedade de maneira natural. Já fomos diversas vezes em museus, teatros e concertos, ela gosta bastante”, afirma.

As histórias de todos esses personagens deixam uma reflexão, segundo Viviane: “Com a inclusão, eles se sentem parte da sociedade. É importante dar oportunidade porque são capazes e tudo que querem é mostrar essa capacidade”, destaca.

 

DIA INTERNACIONAL DA SINDROME DE DOWN ONG BEM TE VI ALUNOS NATHALIA DRIFFENETI


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