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Só este ano, 34 acidentes ocorridos com coletores de lixo

SIMONE DE OLIVEIRA | 11/07/2019 | 05:01

Agulhas, copos quebrados e até espetos de churrasco. Estes são alguns objetos cortantes encontrados dentro dos sacos de lixo orgânico e descartados na rua para serem recolhido por coletores. Descarte irregular que tem causado acidentes graves e, consequentemente, afastamentos dos trabalhadores. Só este ano já foram contabilizados 34 acidentes até julho. Durante todo o ano passado foram 40 acidentes registrados.

Segundo o coordenador da Trail, empresa terceirizada que faz o serviço de limpeza pública em Jundiaí, Adilson Barros Martinelli, a maioria dos acidentes envolve objetos cortantes, como agulhas, pontas de facas e até seringas.

“Quando o acidente acontece com agulha, o funcionário precisa tomar algumas vacinas porque não sabemos onde e como o objeto foi utilizado. Os afastamentos podem ocorrer por apenas um dia ou em alguns casos chegam a sete dias, dependendo do caso”, comenta Adilson.

Os trabalhadores afirmam que é preciso consciência e respeito do munícipe na hora de descartar o lixo doméstico. Mesmo com o uso dos equipamentos de proteção individual (EPI’s), alguns acidentes, principalmente as perfurações, acontecem com grande frequência. Há quase dois anos na empresa de coleta, Guilherme Rezende da Silva, de 20 anos, conta que já cortou o dedo quando foi retirar o lixo. Uma faca estava dentro do saco.

“Neste caso, se eu pego o saco com mais força, o corte teria sido bem maior. As pessoas parecem saber do perigo, e mesmo assim não se importam com os coletores”, lamenta Guilherme.

Como retiram cerca de 350 toneladas de lixo por dia, divididos pelos bairros e por equipes, os coletores precisam fazer este trabalho o mais rápido e preciso possível. Nem sempre percebem o perigo eminente e por isso contam com a ajuda da população.

Segundo conta Leandro Souza dos Anjos, de 30 anos, e há sete na empresa, às vezes o barulho do vidro é percebido assim que levantam os sacos de lixo, mas em outros casos, o acidente só é percebido após se machucarem.

“Como carregamos o lixo nas duas mãos antes de jogá-los no caminhão, podem acontecer corte nas pernas. Eu mesmo já presenciei muitos acidentes com meus colegas de trabalho”, conta Leandro.

Entre as principais partes do corpo lesionados, estão o pé, com 8 acidentes este ano; perna (7); anti-braço (4); mão, braço e tornozelo (3), seguido por dedo, punho, canela (2 cada um).

Ivana Lima de Silva, técnica de Segurança do Trabalho da empresa, conta que um funcionário terá que ser monitorado por até seis meses devido ao acidente que sofreu envolvendo uma agulha. Será preciso tomar algumas medicações. “O acidente foi dentro de um condomínio. Mesmo sabendo que hoje em dia a maioria dos locais já têm espaço para separar o lixo, tem gente que ainda descarta os materiais em qualquer lugar”, lamenta a técnica.

Produtos deve ser bem embalados

Para garantir a segurança dos coletores, algumas orientações são necessárias quanto ao embalo correto dos materiais quando descartados no lixo orgânico. Tudo para evitar os acidentes:

Ao descartar vidros ou objetos pontiagudos é preciso que os mesmos sejam embalados corretamente, antes do descarte. Seja colocando-os dentro de garrafas pets, no caso de objetos cortantes, ou envolvendo-os em embalagens de leite longa vida, devido à proteção do papelão;

Quando se tratar de lata de conserva (como de ervilhas ou de milho), observar se o lado de dentro dela, onde foi feito o corte, foi totalmente amassado, porque esta ‘borda’ também é considerada perfurante;

Além da proteção destes materiais é sempre importante identificar os sacos de lixo que tiverem com estes objetos para que o coletor coloque dentro do caminhão com mais cuidado ainda.


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