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Sorologia demora 15 dias e pacientes desistem de retorno

SIMONE DE OLIVEIRA | 30/04/2019 | 05:00

Com 903 casos confirmados de dengue e outros 259 aguardando resultado, o número de atendimentos nas unidades de saúde de Jundiaí têm aumento. De acordo com a Unidade de Gestão de Promoção da Saúde (UGPS), o órgão recebe cerca de 400 notificações públicas e particulares para a investigação por semana.
E se há notificações, há aumento nos pedidos de sorologia. Porém, nem sempre os pacientes retornam para saber qual foi o resultado. O exame fica pronto em até 15 dias depois de colhido o sangue, mas esta sorologia é feita a partir do sexto dia do surgimento dos primeiros sintomas da doença.
Segundo informações de um paciente do Rio Acima que procurou a reportagem do JJ e não quis se identificar, antes mesmo de saber qual foi o resultado do teste ele se sentiu melhor durante o tratamento e por isso não procurou mais por atendimento.
Não foi o que aconteceu com o aposentado Pedro Luis Henrique Valdés Bravo, de 69 anos. Mesmo no aguardo do resultado da sorologia, ele tem seguido as recomendações médicas para amenizar as dores pelo corpo. “Eu já tenho problemas no joelho, mas semana passada eu não conseguia nem andar direito. Meu médico me falou que mesmo sem o resultado, os sintomas são de dengue e por isso eu precisava seguir as recomendações.”
Há menos de uma semana, o estudante Samuel Maximiano dos Santos, de 28 anos, começou a sentir febre e dor de cabeça, mas só fez a sorologia recentemente. A confirmação ainda não veio, mas o médico que o atendeu já constatou a doença pelos fortes indícios que ele apresentou durante as primeiras consultas.
“Eu viajo muito para São Paulo por conta da faculdade e acho que fui picado neste trajeto. É uma dor muito ruim e tenho repousado para ver se melhora”, diz.
A partir da busca por atendimento para suspeita de dengue, tanto em Unidades Básicas de Saúde (UBSs), Novas UBSs e Clínica da Família, como nos Pronto Atendimentos (PAs e UPA), a coleta de hemograma ou sorologia é realizada, caso o médico, no momento do atendimento, achar necessário.
Em alguns hospitais particulares esta sorologia é feita em até 4 horas. Além da orientação da equipe da Unidade de Vigilância de Zoonoses (UVZ) para a eliminação dos possíveis criadouros do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, os munícipes devem buscar, a partir dos primeiros sintomas da doença, atendimento em qualquer equipamento de saúde, para a notificação do caso e desencadeamento das ações de investigação epidemiológica e demais ações que sejam necessárias

CRESCIMENTO
O número de casos de dengue no estado de São Paulo aumentou 2.124% nas primeiras 11 semanas de 2019 segundo o Ministério da Saúde.
Em Jundiaí, o número têm aumentado a cada semana. Deste o início deste ano, o Hospital São Vicente de Paulo registrou 11 (onze) internações de pacientes com sintomas relacionados à dengue. A Vigilância Epidemiológica de Jundiaí (VE) informa que não há registro de casos graves internados por conta da dengue, nem registro de óbito causado pela doença neste ano.

REGIÃO
A Prefeitura de Campo Limpo Paulista informa que foram registrados 25 casos positivos de dengue na cidade, entre eles apenas 4 autóctones (contraídos no município). Atualmente há 104 casos em investigação. Não há pacientes internados no Hospital de Clínicas (HC).
Em Louveira até agora foram 28 casos confirmados da doença.
Várzea Paulista registra 91 casos positivos, sendo 88 autóctones e três importados. Outros 95 casos ainda estão em análise. A coleta para sorologia é feita nas Unidades Básicas de Saúde a partir do sexto dia de sintomas no paciente, e segue para análise no Instituto Adolfo Lutz. O resultado sai em 15 dias. Procuradas, as cidades de Itupeva e Cabreúva não retornaram até o fechamento desta edição.

DENGUE UBS VILA HORTOLANDIA SAMUEL MAXIMIANO DOS SANTOS


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