Jornal de Jundiaí | https://www.jj.com.br

SUS vai levar 10 meses para zerar fila da radioterapia em Jundiaí

VINICIUS SCARTON | 02/10/2018 | 06:00

No mês da campanha de prevenção do câncer de mama, o “Outubro Rosa”, a fila para radioterapia no sistema único de saúde (SUS) em Jundiaí tem 57 pessoas aguardando para iniciar o tratamento no Hospital São Vicente de Paulo. O tempo para o paciente iniciar o tratamento na cidade é de até 59 dias. Entretanto, para zerar essa fila serão necessários 10 meses, segundo informa a assessoria de imprensa do hospital.

O prazo para início do tratamento está dentro do preconizado pelo Ministério da Saúde, que é de 60 dias. Mesmo assim, esse período pode parecer interminável para quem recebe o diagnóstico e precisa aguardar na fila.

Como foi o caso da jornalista Leyla Kolbe Moraes de Souza, de 57 anos, que teve de esperar cerca de 45 dias desde o diagnóstico de câncer de mama até o início das sessões de radioterapia. “Foi um período de muita expectativa e ansiedade”, diz a paciente, que passou por 30 sessões e terminou o tratamento no final de setembro.

Leyla conta que o nódulo maligno não era sensível ao toque. “O tumor só foi descoberto no exame de ultrassonografia. Neste período passei pelo Hospital Universitário e depois fui encaminhada para o setor de oncologia do Hospital São Vicente de Paulo”, lembra. “Por este motivo recomendo que as mulheres participem de campanhas públicas sobre o câncer de mama, para realização de rotinas ginecológicas, pois as chances de cura aumentam, através de uma descoberta precoce, que diminui o tempo de tratamento”, enfatiza.

Questionado sobre o prazo da fila de espera para o início das sessões de radioterapia no São Vicente, o mastologista, professor-titular da Faculdade de Medicina de Jundiaí (FMJ) e presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia do Estado de São Paulo, João Bosco Ramos Borges salienta que Jundiaí tem cumprido o seu papel. “O tempo de espera é considerado adequado para não prejudicar o tratamento dos pacientes”, afirma.

O câncer de mama é o segundo na demanda do setor de radioterapia do Hospital São Vicente de Paulo, com 21,5% dos atendimentos, perdendo para o câncer de próstata, com 25%. Por mês, são atendidos em média, 12 novos casos de câncer de mama neste hospital.

Para tentar reduzir essa fila, o Hospital São Vicente informa que vai ampliar, a partir desta terça-feira (2), o horário de atendimento da radiologia do hospital. O serviço passa a funcionar das 5h às 22h. “Hoje possuímos 70 pacientes em tratamento, encaminhados de diversos municípios da Região. Através da ação, 10 novos pacientes serão atendidos por dia. A iniciativa é fundamental para o trabalho humanizado que desenvolvemos na unidade. Com a ampliação, o inicio do tratamento será ainda mais rápido”, explica o físico médico, Flávio Vermiglio.

REDE DE TRATAMENTO
A prefeitura detalha que Jundiaí possui uma rede de tratamento contra o câncer de mama em que o atendimento é mais rápido que o preconizado pelo Ministério da Saúde. No entanto, a procura pelo exame de mamografia, que pode detectar a doença precocemente, é baixa. Atualmente, a Unidade de Gestão da Saúde oferece 2,5 mil mamografias por mês. No entanto, somente 1,7 mil são realizadas. Sobram cerca de 800 exames mensalmente.

Para marcar o “Outubro Rosa”, agentes comunitários de saúde e de estratégia de saúde da família (ESF), além de médicos e enfermeiros da rede de atenção básica, vão incentivar as mulheres – principalmente aquelas que nunca realizaram o exame – a passar pela mamografia, indicada a partir dos 40 anos, ou a partir dos 35 anos, em famílias com casos da doença.

Segundo o gestor de Saúde, Tiago Texera, é importante que todas as mulheres procurem uma unidade básica de saúde (UBS) e solicite o exame. “A intenção é trazer as mulheres que nunca se interessaram pelo exame para que façam a mamografia. Em caso de diagnóstico suspeito, a paciente é encaminhada para o cuidado, e na sequência, se necessário, ao tratamento”, destaca o gestor.

A professora Kátia de Barros, de 44 anos, descobriu que estava com câncer de mama em 2017. Com um tumor bastante agressivo – cresceu seis centímetros em um mês – passou por quimioterapia, cirurgia e radioterapia. “Da descoberta ao fim do tratamento foi muito rápido. Fiz 16 aplicações de quimioterapia, cirurgia de retirada completa da mama e 25 sessões de radioterapia. Voltei ao trabalho em um ano e meio”, diz ela. “A rede de atendimento de Jundiaí é completa e eficiente. Tive a suspeita na UBS, fui encaminhada para o Ambulatório da Saúde da Mulher e já estava sendo tratada.”

QUIMIOTERAPIA
Sobre a quimioterapia, o procedimento é realizado por uma empresa terceirizada no Hospital São Vicente de Paulo. Segundo o médico responsável, Marcelo Fanelli, o tempo de espera para iniciar as sessões é de no máximo duas semanas. “Por conta disso, não há fila de espera”, confirma.

Através de levantamento fornecido pela assessoria de imprensa do Hospital São Vicente de Paulo, em janeiro deste ano foram realizadas 858 sessões de quimioterapia. Em fevereiro, 766, em março, 797, abril, 853, maio, 805, junho, 806, julho, 860 e agosto, 893. “As quantidades divulgadas são de pacientes tratados no setor de oncologia do hospital”, comenta Fanelli.

HU realiza palestra sobre câncer de mama nesta terça (2)

Nesta terça-feira (2) o Hospital Universitário de Jundiaí promove a palestra “Outubro Rosa: Câncer de Mama”, com o mastologista João Bosco Ramos Borges.
O evento visa conscientizar os participantes sobre a importância do diagnóstico precoce. “A ideia é justamente sensibilizar quem vai estar presente para a luta contra o câncer de mama, que já é o primeiro câncer a matar mulheres no Brasil”, afirma o especialista.
A atividade é destinada a todos os profissionais da rede básica de saúde, médicos da cidade e da Região, residentes e demais convidados.
Segundo Bosco, a apresentação será formada por estatísticas atualizadas, informações sobre a situação do câncer de mama no Brasil e maneiras de realizar o diagnóstico precoce deste câncer. “O diagnóstico precoce muda o prognóstico das pacientes, principalmente em saúde pública, pois diminui o custo do tratamento. Cerca de 80% das pacientes diagnosticadas precocemente não necessitarão de quimioterapia e o custo com seu tratamento será 30 vezes menor”, explica o médico. “Quando o diagnóstico é tardio, a paciente necessita de quimioterapia, que é um tratamento mais agressivo”, complementa.
A palestra será realizada no anfiteatro do Hospital Universitário, às 9h. O HU fica na Praça da Rotatória, s/nº, Jardim Messina, em Jundiaí.

T_sao_vicente_radioterapia


Link original: https://www.jj.com.br/jundiai/sus-vai-levar-10-meses-para-zerar-fila-da-radioterapia-em-jundiai/
Desenvolvido por CIJUN