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Tamoio ‘ferve’ com esportes e projetos sociais para crianças

FÁBIO ESTEVAM | 25/12/2019 | 05:00

O Jardim Tamoio, na zona leste de Jundiaí e na região da Colônia, é um dos bairros mais populosos da cidade, com 12 mil moradores – incluindo aqueles que residem nos extintos Baixada Paranaense e Núcleo Balsan, que hoje fazem parte do Tamoio. Um bairro recheado de esporte e projetos sociais – conquistados pelos próprios moradores -, e tomado por centenas de crianças, de 8 a 15 anos, que a cada dia da semana se concentram no salão comunitário, na rua da Mina.

Às segundas-feiras, por exemplo, as crianças saem da escola e entram… na escola.

Isso mesmo, porque ali elas têm aulas de reforço, ministradas por uma professora que vem de outra cidade voluntariamente para reforçar o que elas acabaram de aprender em sala de aula.

As sextas-feiras são reservadas ao balé, também ensinado por professores que doam o seu tempo para fazer o bem, assim como a da capoeira, às quartas-feiras, que reúne muitas crianças adeptas da modalidade.

Mas são às terças e quintas-feiras que o Tamoio ferve. Isso porque é o dia dedicado a uma modalidade muito praticada no Brasil e que vem crescendo a cada dia: o handebol.

Levado pela professora Rita Orsi, jundiaiense que faz parte da comissão técnica da seleção brasileira feminina principal e que tem na bagagem disputas como Jogos Olímpicos e Mundial, o handebol reúne em dois dias da semana mais de 60 meninos e meninas, o futuro do bairro.

Essas crianças não querem ir para as esquinas ou mesmo para os terrenos baldios. Elas não querem vigiar ou serem vigiadas, não querem ter de correr de nada ou de ninguém…

Elas querem evoluir e progredir, como diz o líder comunitário Gilnei Pereira de Jesus, o Nei, de 35 anos, que viveu por 27 anos no Tamoio e ainda mantém um comércio no entorno. “Aqui o poder público municipal não chega, falta de tudo para adultos e, principalmente, crianças. O que temos aqui foi conseguido por nós mesmos, pelos moradores, alguns mais influentes, que foram buscar as oportunidades. A Rita Orsi, mesmo, apesar de ser da Prefeitura, trouxe o handebol, ao lado dos professores Diogo e Camila, por iniciativa própria, através de um projeto dos Correios. Um projeto que ficou enfraquecido depois que os Correios parou com ele, por conta de uma iniciativa política do presidente Jair Bolsonaro, que cortou a verba desses projetos sociais. E a gente aqui, que já não tinha nada, acabou prejudicado”, lamenta. “Ainda assim demos sequência. Pedimos ajuda aos comerciantes, empresários e amigos para a compra de lanche e suco para dias de competição e festivais, por exemplo, para que as crianças permanecessem conosco e não se envolvessem com coisas erradas.”

Uma organização não-governamental está no forno, para que possa gerir todos os projetos e agregar outros, como um que pretende colocar idosos para malhar. “Os idosos devem ter, em breve, semanas de exercícios que vão ajudá-los a ter uma vida mais saudável”, disse.

Várias porções
O Tamoio é um bairro familiar. Se você quer alegria, pode ir buscar, é de graça e pode levar várias porções. A melhor delas acontece no Dia das Crianças. Organizado pelo dono de uma adega, o evento reúne milhares de crianças todos os anos. “Tem vezes que colocamos mil presentes e não é possível atender a todas”, disse Nei.

Mas, se você preferir, pode ir ao Tamoio buscar porções de solidariedade, como da dona Dallas, que há mais de 20 anos cuida para que animais abandonados ou maltratados consigam um lar de amor e esperança – todos os sábados e domingos, no período da manhã, ela está no alto da avenida dos Imigrantes com vários animaizinhos para serem doados.

Mas, se você quer adrenalina, tem também, com encontro de motociclistas, em que integrantes de motoclubes se reúnem no bairro para acelerar e fazer barulho, além de muitas vezes levarem alimentos para as famílias mais carentes.

“Tudo o que temos aqui, como disse, é completamente nosso. Não tem Prefeitura, não tem vereador, não tem investimentos externos. E, justamente por isso, pedimos que quem quiser nos ajudar, seja empresário ou não, nos procure. Se for ajuda em dinheiro, nós fazemos prestação de contas. Mas não é isso o que queremos. Nós pedimos o lanche e o suco para as crianças em dias de projeto, e mais nada”, garante Nei.

Para entrar em contato com o organizador, ligue 9 9530-2022, ou faça uma visita ao bairro.


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