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Taxa de mortalidade infantil cresce 30% de 2016 para 2017 em Jundiaí

GUSTAVO AMORIM | 04/06/2018 | 05:25

A taxa de mortalidade infantil em Jundiaí cresceu 30,9% entre os anos de 2016 e 2017 em Jundiaí. Os dados são da Fundação Seade (Sistema Estadual de Análise de Dados) e da Prefeitura da cidade. É o terceiro ano consecutivo que a cidade registra aumento na taxa, que foi de 7,09% a cada mil crianças nascidas vivas em 2015 para 8,06% em 2016, e subiu para 10,55% em 2017. A taxa, entretanto, é menor do que a registrada em 2014, quando 11,21% das crianças até um ano de idade não sobreviviam. Nos últimos 10 anos, a taxa oscilou bastante, entre 11,5% (2008, maior número), e 7,09% (2015, menor número).

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De acordo com a Prefeitura de Jundiaí, a Unidade de Vigilância Epidemiológica da cidade apontou a hipertensão arterial materna, diabetes gestacional, retardo de crescimento intrauterino, vulnerabilidade social, falta de planejamento reprodutivo (comorbidades mal controladas prévias à gestação, como obesidade, hipertensão, diabetes, etc) e prematuridade como os principais fatores para o aumento. Segundo pesquisa da Fiocruz, o cenário econômico pode fazer com que as taxas aumentem ainda mais. Publicado na revista científica americana PLoS Medicine, o estudo prevê que o Brasil não vai conseguir evitar a morte de 19.732 crianças até 2030. Isso se o país não reverter a estagnação de investimentos determinada pela Emenda Constitucional 95, aprovada pelo Governo Federal em 2016. Entre 2016 e 2017, a extrema pobreza no Brasil – um dos principais motivos que causam mortes entre os bebês até um ano – aumentou 11%.

Em situação de extrema pobreza vivem Jéssica Fernandes e o marido Wellington Garcia. O casal mora no Jardim São Camilo e tem como única renda fixa os R$ 257 que recebem do Bolsa Família, programa de auxílio do Governo Federal. Com o valor, Jéssica e Wellington priorizam a alimentação dos dois filhos pequenos – Gabriel e David – de dois e cinco anos, respectivamente. “Qualquer R$ 10 ou R$ 15 a mais pra gente é muito importante, ajudaria demais”, diz Jéssica. Wellington diz que está muito difícil conseguir um emprego com carteira assinada, mesmo com as frequentes notícias de melhora no cenário econômico. “Eu estou procurando qualquer tipo de serviço e nem para as entrevistas estão chamando”, lamenta.

Na cidade, 4.782 recebem o benefício – que é pago pelo Ministério do Desenvolvimento Social e operado pela Caixa Econômica Federal. Segundo a prefeitura, foram R$ 655.930,00 em 2017, uma média de R$ 137,17 por família com uma criança. Em março deste ano, a administração municipal instituiu, via projeto de lei aprovado na Câmara Municipal, a Política Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional (Caisan). O Plano Municipal, que atenderá prioritariamente a beneficiários do Bolsa Família, será elaborado pela Câmara Intersetorial de Segurança Alimentar e Nutricional.


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