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Teatros pelo mundo se adaptam ao novo normal

MARIANA CHECONI | 12/07/2020 | 09:00

Após quatro semanas na fase amarela e se o prefeito Bruno Covas permitir, a cidade de São Paulo terá finalmente seus cinemas e teatros de volta, graças à flexibilização de regras anunciada no dia três de julho.

As mudanças foram divulgadas pelo governador João Doria. Além de cinemas e teatros, estão contemplados salas de espetáculo, museus, galerias, bibliotecas, acervos e centros culturais. A projeção é que isso ocorra, na capital paulista, no dia 27 de julho.

Essa flexibilização gerou discussões entre o meio artístico e gestores das cidades, afinal, como será a reabertura desses espaços?
Em Jundiaí, a Unidade de Gestão de Cultura (UGC) informa que, juntamente com o Departamento de Teatros, tem usado o período para dialogar com representantes do setor artístico sobre as ações a serem desempenhadas no retorno às atividades. As considerações serão avaliadas com base no regramento dos protocolos gerais e específicos para o setor. Tais regras sanitárias estão definidas para aplicação em âmbito estadual (Plano São Paulo) para os espaços e eventos com público sentado.

Cabe ressaltar que o governo do estado, responsável pelo Plano São Paulo, estabelece a permissão para funcionamento de teatros, cinemas, bibliotecas e museus apenas às cidades que estiverem na Fase 3 – Amarela pelo período superior a 28 dias. Atenta às tendências do segmento no cenário internacional, como na Europa, por exemplo, a UGC também avalia a elaboração de um protocolo municipal, como resultado de fórum nacional de debate com infectologistas e virologistas, do qual participaram os diretores dos corpos artísticos de Jundiaí.

Na ausência da programação com público, são desempenhadas obras de melhorias no Teatro Polytheama, como a instalação do ar-condicionado.

A atriz Giullia Andriotti Sampaio, 23 anos. faz parte do Coletivo Mundarel, de Campinas, o grupo ganhou a edição do Festeju de 2018 como melhor espetáculo na categoria amadora com a peça “Aquilo que fica guardado na memória”. Conta que o grupo discute diariamente sobre a retomada dos teatros. “Nosso diretor, Barbosa Neto, colocou uma reflexão interessante, que a princípio parece estranho, mas faz sentido. Ele diz que o primeiro teatro a retomar provavelmente será o de rua. Parece estranho, pois pode gerar aglomeração e não tem número de pessoas assistindo, mas é em local aberto, o público pode se dispor como quiser. Isso já começou a acontecer na Europa, na França, por exemplo”, afirma.

Giullia acredita que se tratando de teatro fechado, os locais vão seguir as recomendações da saúde. “Terá distanciamento, redução de plateia, talvez com fitas nas cadeiras ou retirada de fato. Os ingressos serão vendidos pela internet para não gerar fila pra não gerar aglomeração na fila, além disso, máscaras e álcool em gel serão indispensáveis”, conta.

Em relação aos profissionais da área, atores e produtores, a atriz acredita que pequenos grupos não sofrerão tantas mudanças. “Nós ensaiamos juntos, são poucas pessoas em contato. Talvez teremos recomendações quanto a cenas íntimas de beijos e abraços, mas não há como prever como será esta volta. Além disso, grupos grandes e superproduções, como os musicais serão os últimos a retornarem, com muitas restrições”, diz.

A pandemia pode causar um sentimento de valorização sobre o teatro. “As peças foram muito trocadas pela televisão, netflix, e filmes em casa. Porém, neste momento, as pessoas estão cansadas de ficar em casa, por isso quando for permitido retornar, há uma tendência de valorização da arte e formas de lazer. As pessoas vão querer sair. Principalmente as que assistiram peças on-line e gostaram da experiência”, afirma a atriz.

Pelo Mundo
Nos Estados Unidos, os 41 teatros nova-iorquinos da Broadway ficarão fechados até, pelo menos, dia 6 de setembro. A informação foi divulgada por um comunicado da Broadway League, instituição responsável pela indústria dos famosos teatros.
Já na Alemanha, O Berliner Ensemble, em Berlim, tomou medidas para reabertura. Removeu aproximadamente 500 dos seus 700 assentos para estar alinhado com as regras de distanciamento social do país e se organizar para sua reabertura, também em setembro.

Cerca de 70% dos assentos do auditório foram removidos, e serão renovados até que eles possam ser incorporados na plateia novamente. “Estamos tentando criar uma solução criativa para esse momento”, contou Oliver Reese, diretor criativo da Berliner Ensemble. “O auditório parece agora com uma instalação de arte. Não são apenas fileiras vazias”, finalizou.

O uso de máscaras faciais, além da distância de 1.5 metros e a presença e o uso de álcool em gel permanecem como medidas importantes durante a abertura. Além disso, os ingressos serão verificados sem contato, e haverá um sistema de controle de multidões durante a entrada.

O Teatro Menotti, em Milão, na Itália, assim como os outros, diminuiu substancialmente a capacidade de sua sala principal após três meses de lockdown completo, e instituiu novas regras de acesso, como medição de temperatura, distanciamento entre os assentos e uso de máscaras e álcool em gel.


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