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Tempo de entrega impacta trabalho dos motoboys

Katia Appolinário | 20/06/2020 | 06:30

Os aplicativos de entrega facilitaram a vida da população durante a pandemia, mas para que os usuários possam saborear suas refeições sem sair de casa, os motoboys precisam ‘se virar nos trinta’ para cumprir o prazo de entrega.

Da retirada do pedido até a chegada ao destino final, muitos fatores interferem no tempo de entrega. É o que conta o motoboy Edison Martins, de 46 anos, que é entregador de aplicativo há quatro meses. “O tempo de entrega está diretamente ligado ao tempo de preparo do restaurante. Muitas vezes ficamos mais de uma hora esperando um único pedido, o que pode fazer a diferença no nosso lucro, principalmente se isso acontecer em um final de semana, que é quando a demanda por delivery é mais intensa”, diz Martins.

No caso da entrega via aplicativos, quando o pedido ultrapassa determinado tempo, algumas empresas ressarcem o motoboy. “Se a espera passar de 40 minutos, nós recebemos uma taxa no valor de metade da entrega para compensar a espera, mas na verdade nem sempre acaba valendo a pena, principalmente se for uma entrega de percurso curto, em que recebemos em média R$ 5”, reitera.

O motoboy Bruno César dos Santos, de 32 anos, é entregador autônomo há 12 anos e não possui essa taxa para compensar o tempo de espera. Para ele, o trajeto é quase sempre algo simples e rápido, mas a entrega nem sempre. “Quando tenho que ir aos condomínios, as burocracias da portaria nos atrasam bastante. Nisso acabamos perdendo outras entregas, que são passadas para outros motoboys”, alega.

NOS BARES

Quem decidiu aderir ao delivery durante a crise foi o proprietário de um restaurante da cidade, Flávio Neves, de 59 anos. “Nunca trabalhei com motoboys e durante os últimos meses, minha solução tem sido liberar a retirada dos clientes no estabelecimento, mas nem todos gostam desse esquema. Para não ter mais prejuízos já estou realizando os procedimentos para adquirir a entrega via aplicativos”, compartilha.

Para não deixar seus clientes esperando, o proprietário de um bar na Vila Hortolândia, Genildo Cardoso de Oliveira, de 43 anos, optou por aumentar a frota de motos. “Como não posso abrir o meu estabelecimento, o delivery é a única forma que eu tenho de continuar lucrando. Eu contratei dois novos entregadores e também atendo via aplicativos”, diz o comerciante que alega que 60% do seu faturamento provém do delivery.

João Vitor Roberto da Silva, de 20 anos, é um dos entregadores de Oliveira e conta que é natural que nos finais de semana a entrega demore um pouco mais. “O número de pedidos é maior e o tráfego também, mas raramente levo mais do que 15 minutos em cada entrega”, conta.

Consultadas, tanto a Uber Eats quanto o Ifood não responderam até o fechamento desta edição sobre o tempo médio de entrega dos pedidos, bem como sobre o aumento ou não da adesão dos serviços delivery nos últimos meses.


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