Jundiaí

Torcedores esperam ajudar Paulista a ser gigante do estado

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Crédito: Reprodução/Internet
O Paulista completa hoje (17) mais um ano de vida. Chega aos 111 anos, sem saber como será o seu futuro, já que devido à pandemia da covid-19, a Série A3 foi paralisada faltando quatro rodadas para o encerramento da primeira fase, na qual o time luta contra o rebaixamento. A história recente do clube é de muitas lutas, incertezas, mas com glórias passadas. Neste século, o clube faturou seis títulos oficiais. Mesmo com as dificuldades que atravessa nos últimos anos, a sua torcida jamais o deixou na mão e há muito empenho para um futuro melhor. “Esse momento que o Paulista atravessa mexe comigo, pois acabo perdendo noites de sono de como posso ajudar o Tricolor neste momento. Mas não temos acesso a tudo que ocorre e nem mesmo consigo ter as soluções para as dificuldades que são apresentadas”, conta Fernando Drezza, fanático pelo Paulista desde os anos 80, e atualmente conselheiro do clube. Ele acredita que o torcedor jundiaiense ainda possui bastante carinho pelo clube e que a cidade deve ajudar a instituição. “Em períodos de crise, acredito em transformações e este pode ser o momento de um olhar com mais carinho para o Paulista, pois, neste mundo globalizado, poucas coisas remetem a nossa origem”, diz Drezza. “Eu somente assisto a jogos do Paulista. Nem jogo na televisão eu assisto. Se o clube acabar, o futebol pra mim acaba”, completa. Ivan Gottardo, Fernando Drezza e Vinicius Oliveira torcem somente pelo Galo A história mostra que o clube, em grandes crises, quando precisou ficar fechado por fatores externos, conseguiu se superar e voltar a ter excelentes times. “O Paulista viveu em três oportunidades situações como a de agora. A primeira foi na época da Gripe Espanhola entre o fim de 1918 e o começo de 1919. As outras duas foram durante a Revolução Paulista de 1924 e a Revolução Constitucionalista de 1932. Esta última o clube chegou a participar ativamente com grandes ídolos na época como o goleiro Zé Dica e os atacantes Camargo e Minguta como combatentes”, afirma Ivan Gottardo, torcedor do clube e historiador do Galo. Curiosamente, após a primeira vez que precisou ficar fechado, não demorou muito para o Tricolor ser campeão, pois venceu a edição de 1919 do Campeonato do Interior, que foi encerrado apenas em 1920, mostrando a sua força em renascer nos piores momentos. A história de títulos não parou mais, especialmente nos últimos 20 anos, quando o torcedor viu a equipe ser campeã de seis torneios oficiais: duas Copas Paulistas, nos anos de 2010 e 2011, a Copa do Brasil de 2005, a Série C do Brasileirão de 2001, a Série A2 do Paulistão de 2001 e a mais recente no ano passado foi a Quarta Divisão do Estadual. LONGE DO ESTÁDIO Um dos maiores patrimônios de um time de futebol é o seu torcedor. O futuro próximo vai deixar os apaixonados pelo clube longe das arquibancadas, devido à proibição de aglomerações por conta da covid-19. Alguns não acreditam que nos próximos meses não terão como ajudar o time dentro do gramado com seu incentivo nas arquibancadas. “O coração fica apertado, pois a gente queria estádio aberto para as pessoas estarem gritando o nome do clube”, conta Drezza. Para Ivan Gottardo, ninguém está preparado emocionalmente para este tipo de situação. “Não é culpa do futebol e sim de algo mais sério que ocorre no planeta, que a nossa geração jamais viveu”, lembra. Integrante da torcida organiza Raça Tricolor, Vinícius Oliveira conta que está acostumado assistir aos jogos no estádio e terá uma sensação ruim não poder frequentar os jogos. Só que nada tira a sua paixão de falar com orgulho que é torcedor do Paulista. “Eu virei torcedor do Paulista aos 10 anos, quando o clube já estava em um momento de queda. Eu sofria até discriminação na escola por torcer para um time do interior. Só que sempre somos fiéis a essa camisa gloriosa”, completa. A maior conquista  ocorreu em 2005, quando venceu a Copa do Brasil superando seis adversários CAMPO DO PAULISTA Quem mora em Jundiaí e nunca ouviu a expressão: “Vamos ao campo do Paulista!”? É assim que carinhosamente o estádio Jayme Cintra é chamado pela população da cidade. O local transborda orgulho para Edu Fornari, que atuou com a camisa do Galo no gramado do Jardim Pacaembu na década de 80. “Um dos maiores patrimônios do Paulista é o estádio, pois é um local maravilhoso e muitos clubes no país não possuem um campo próprio. O Jayme Cintra é um lugar gostoso de jogar e lá a torcida do Galo sempre foi importante, pois vivia lotado”, diz. Para ele, o que precisa ser resgatado é o costume dos jovens da cidade de estarem no Jayme Cintra. “Percebo hoje que as crianças estão distantes do estádio do futebol, por causa de fatores extra-campo que não podem acontecer. Lá é lugar para torcer e se divertir”, afirma. FUTURO DO GALO Rogério Levada conta que foi uma grande honra para ele ter sido presidente do clube no último ano. “O Paulista é uma das marcas de Jundiaí. Quando fala da nossa cidade já lembram de imediato do Tricolor”, conta ele, que no último mês deixou o cargo. Após a quarentena que ocorre no estado, eleições serão realizadas no Paulista, onde Rodrigo Alves, atual presidente da torcida organizada Raça Tricolor e conselheiro do clube, deve sair candidato, com possibilidade de ser o único a participar do pleito. “Acredito muito que o Rodrigo possui toda a competência para elevar o nível do clube. Espero que ele monte um ótimo time e sem parcerias. E ainda entregamos com um trabalho embrionário nas categorias de base”, diz Levada, que na chapa deverá ser um dos vice-presidentes. Futuro candidato, Rodrigo Alves espera aprovação do conselho deliberativo do clube, para assumir o comando. “Já me coloquei à disposição e estou tomando algumas ações para o resgate do Paulista. Quando falo em resgate é trazer de volta a dignidade do clube, como abri-lo para que o torcedor possa agregar nas ações em prol do Galo”, afirma. Neste século, o Galo levantou por duas vezes o título da Copa Paulista, sendo o seu maior ganhador Galo venceu todas as disputas de pênaltis A disputa de pênaltis é o momento que o torcedor de futebol vive o maior momento de tensão, pois um único chute pode acabar com o sonho de um time. O apaixonado pelo Paulista jamais se frustrou com uma disputa de pênaltis. Por dez vezes, em competições oficias, o Paulista definiu o seu futuro nos tiros livres da marca penal. Até na caminhada do título mais importante da sua história, o Tricolor passou por dois rivais no “drama dos pênaltis”. E ganhou em todas as vezes. “Certamente é o momento que o torcedor vive maior tensão, principalmente quando o adversário é considerado um time grande e é um dos favoritos. A mais emocionante foi de 2005, na vitória do Galo sobre o Internacional. Foi muita adrenalina”, conta Adilson Freddo, apresentador do Time Forte do Esporte da Rádio Difusora. A primeira vez que o Paulista precisou passar pela disputa de pênaltis foi no Torneio Laudo Natel, competição oficial para os clubes que disputavam o Paulistão, no ano de 1973. O Galo enfrentou o São Bento e venceu o rival por 5 a 4, se classificando a próxima fase do torneio. Uma nova disputa de penalidades apareceu na história do Paulista na disputa da Série A2 de 2001. Todo jogo da competição que terminasse empatado, a definição era nos pênaltis e o clube ganhador somava um ponto na classificação. Foram seis disputas de penalidade para o Galo, que venceu todas: 3 a 2 sobre Ituano e Mirassol, 3 a 1 em cima do Juventus, 2 a 1 sobre Bragantino e Sãocarlense, e 2 a 0 na Francana. Artur, cria das categorias de base, se consagrou naquela competição e era chamado pelos torcedores de rei. “Eu sempre gostei de valorizar nossos goleiros heróis. Talvez porque eu tenha sido goleiro e sei o quanto é difícil jogar nessa posição. Rei Artur e São Victor de Jayme Cintra ficaram marcados”, relembra. Em 2004, o Paulista enfrentou o Palmeiras pelas semifinais do Estadual e teve que passar pela penalidades, em virtude de um gol de falta do meia Pedrinho, do alviverde, aos 50 minutos do segundo tempo, que empatou o jogo em Araras por 3 a 3. Os jogadores do Tricolor não se abateram, com o goleiro Márcio pegando duas cobranças. No fim, coube ao zagueiro Asprilla marcar o gol da classificação, na vitória por 4 a 3. A vaga na final rendeu o passaporte de disputar a Copa do Brasil no ano seguinte, onde o Tricolor por outras duas vezes teve que garantir classificação nas penalidades. Ambas foram diante do torcedor, no Jayme Cintra, que jogou junto com o time nas penalidades, para superar o Internacional por 4 a 2 nas oitavas de final, e o Figueirense por 3 a 1 nas quartas de final, rumo ao título mais importante da história do clube. Nos dois jogos, Rafael Bracalli, goleiro do Tricolor, defendeu cobranças dos jogadores rivais. Até nas categorias de base, na sua maior conquista, o Paulista mostrou a sua aura vencedora na disputa de pênaltis. Na conquista da Copa SP de futebol junior, em 1997, o Galo superou o Corinthians, no Canindé, ao ganhar nas penalidades por 4 a 3.

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