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Transferência para rede pública é opção para pais

KÁTIA APPOLINÁRIO | 05/06/2020 | 05:00

O número de alunos transferidos da rede particular de ensino para a estadual cresceu mais de dez vezes nos meses de abril e maio deste ano, em relação ao mesmo período do ano passado, segundo dados da Secretaria de Educação do Estado. Só este ano o estado recebeu 2.388 transferências de estudantes oriundos da rede particular, contra 219 no ano passado.

Apesar da secretaria não elencar os reais motivos desta transferência, a queda de renda de muitas famílias por conta da pandemia do coronavírus pode ser um dos motivos. Procurada, a Unidade de Gestão de Educação (UGE) informou que não ainda não há dados fechados sobre este número na cidade.

Contudo, sabe-se que este problema impactou não apenas as particulares voltadas para o ensino médio, como também as escolas infantis. A diretora e proprietária de uma escola particular infantil de Jundiaí, Rafaela de Azevedo Alves Monteiro, conta que a demanda por transferências ficaram evidentes desde o início da pandemia. “Estou me desdobrando para manter os contratos dos nossos alunos. Desde março recebi a solicitação de uma transferência para a rede pública e tenho mais três pedidos na fila para serem transferidos também”, compartilha a gestora ressaltando que, além desses, há ainda os casos de desistência da vaga.

Ela alega que a justificativa dos pais se deve à redução de carga horária dos seus trabalhos e, consequentemente, a queda dos salários ou mesmo o desemprego. Diante dessas circunstâncias, a profissional tem procurado ser compreensiva e negociado os contratos cuidadosamente. “No primeiro mês da quarentena eu consegui reduzir em 50% a mensalidade e fiz a isenção da taxa de alimentação das crianças. Posteriormente sugeri aos responsáveis o bloqueio do contrato, assim os pais só voltariam a pagar quando as aulas forem retomadas. Como trabalhamos com crianças de zero a cinco anos, o método a distância se torna um tanto quanto complicado”, diz na expectativa que o quadro de contágio seja controlado para que a rotina escolar volte ao normal.

Em função das dificuldades financeiras durante a pandemia, a auxiliar administrativa Ana Paula Biazoto, de 31 anos, teve que transferir a filha Raphaella Biazoto, de 1,6 anos, para a rede municipal de educação.

“Alguns familiares nos ajudaram a mantê-la na particular, mas com o aperto das contas, se tornou algo inviável. Por isso, optei pela escola pública”, conta a mãe que alega não ter planos de voltar para a particular.

Em Jundiaí, a Unidade de Gestão de Educação (UGE) salienta que segue aguardando as decisões do Governo do Estado para retornar as aulas presenciais. Enquanto isso, para que os alunos não sejam prejudicados serão mantidas as aulas on-line, envolvendo recursos pedagógicos e tecnológicos. No caso de a criança ou o aluno da Educação de Jovens e Adultos não ter acesso à internet, a entrega da tarefa está sendo feita na própria escola, conforme organização da equipe gestora.

ESCOLAS ESTADUAIS
Ainda não há data definida para a retomada das aulas presenciais, mas assim que houver um posicionamento consolidado, a informação será divulgada pelos órgãos oficiais de educação.

Para facilitar o processo de transferências, a Secretaria Estadual da Educação abriu, pela primeira vez, a possibilidade de as matrículas serem feitas de maneira totalmente on-line. A medida visa evitar o deslocamento das famílias, formação de aglomerações nas escolas e assim diminuir o risco de contaminação do coronavírus.

As matrículas valem para o ano vigente e para a migração para a rede estadual de aluno que esteja ou na rede privada ou vindo de outros estados.

A gestora Rafaela de Azevedo oferece flexibilidade de pagamento da escola

Ana Paula Biazoto transferiu a pequena Raphaella para a rede pública


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