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Trombose: doença grave e pouco conhecida

COLABORAÇÃO DE MARIANA CHECONI | 17/02/2019 | 14:14

A trombose é uma doença grave que ocorre quando um coágulo de sangue se forma e obstrui uma ou mais veias profundas em qualquer parte do corpo, embora seja mais comum se manifestar nas pernas. Muitas pessoas a confundem com simples dores nas pernas, mas o risco é elevado e é preciso buscar ajuda imediatamente.

Qualquer um é suscetível a ter entretanto, a cirurgiã vascular, Dafne Leiderman, formada em medicina pela USP, revela que há pacientes com maiores riscos. “A trombose pode acontecer espontaneamente com qualquer pessoa, porém é mais frequente em pacientes com fatores de risco, como fumar, ganho de peso, cirurgias de grande porte (principalmente as ortopédicas), internações hospitalares prolongadas, um câncer ou até o uso de hormônios nas pílulas anticoncepcionais ou reposição hormonal pós-menopausa.”

Ela ainda afirma que o fator genético também é um dos motivos que leva o paciente a ter trombose. “Também temos os fatores de risco genéticos, que são doenças que alteram a coagulação do sangue deixando algumas pessoas mais propensas a trombose, as trombofílicas”, conta

A enfermeira Jeane Costa, de 45 anos, conta como descobriu que estava com a doença. “Eu trabalhava a noite num hospital em São Paulo e ficava várias horas em pé, comecei a sentir fortes dores na região da panturrilha e um edema que não melhorava com remédios convencionais. Até que durante um plantão a dor foi tão forte que não conseguia pisar no chão”, relata.

“Fui encaminhada ao pronto-socorro e fiz exames, em que constataram a trombose.” Jeane diz que, por ser enfermeira, já conhecia a doença, entretanto, as pessoas leigas no assunto podem confundir as dores na perna com cansaço e não procuram devido atendimento. A trombose, caso seja confirmada, é preciso ser tratada imediatamente, pois se não for o paciente corre um grande risco de embolia pulmonar.

Devido à gravidade da doença, as pessoas devem ficar atentas aos sintomas que são fortes dores, vermelhidão, arroxeamento na área e inchaço. Outra característica é que ela costuma ser assimétrica, ou seja, ocorre em apenas uma perna. Ao constatarem os sintomas, as pessoas devem procurar o pronto-socorro onde serão realizados exames de sangue e um ultrassom com doppler.

Embora a doença seja mais comum em mulheres, ela também afeta homens. Fabio Borges, auditor, de 50 anos, conta que foi internado por cinco dias após diagnosticar a doença “Descobri devido a uma dor na panturrilha direita, que parecia mais uma pancada. Indo ao ortopedista, ele me disse que não era muscular e me encaminhou a um médico vascular”, relata ele.”Diagnosticado com trombose, depois de fazer um ultrassom, fiquei internado por cinco dias e depois precisei tomar um anticoagulante por seis meses”, completa. Fabio também acredita que a doença não é muito conhecida e que precisa ser melhor difundida entre as pessoas.

Anticoncepcional
Foi comprovado que há chances de o anticoncepcional aumentar a chance da doença se manifestar nas mulheres, contudo, o risco é baixo. Conforme a médica, ele aumenta em mulheres que possuem os fatores de risco listados (fumantes, obesas e com propensão a trombofilia). Apesar disso, em alguns casos, o único fator associado a trombose é o uso da pílula, principalmente aquelas com alto nível de estrógeno, que trazem mais riscos.

Tratamento
Segundo Dafne, a trombose tem cura. “Ela pode ser tratada com anticoagulantes, remédios e injeções que afinam o sangue além de ser necessário repouso com as pernas elevadas, uso de meias elásticas e consultas com o vascular”, diz a médica. “É preciso ficar atento, pois a doença pode voltar a se manifestar.”

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