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Várzea é o segundo maior polo de coronavírus no AUJ

KÁTIA APPOLINÁRIO | 16/07/2020 | 05:00

Com 685 casos de covid-19 confirmados e 45 óbitos causados pelo vírus, Várzea Paulista ocupa o segundo lugar no ranking entre as cidades com maior concentração da doença no Aglomerado Urbano de Jundiaí (AUJ). O número significa que o município concentra 8,18% dos casos positivos da região.

A área de residência com maior quantidade de casos é a Vila Real, com 79 ocorrências confirmadas. Logo em seguida está a região do Jardim América III, com 65 casos positivos e o bairro Cidade Nova II, com 60 contaminados. No entanto, a região com a maior concentração de mortes é a Vila Marajó, com sete óbitos, o que corresponde a 15,55% do total de mortes no município.

Pelas ruas, as opiniões entre os munícipes divergem. Alguns atribuem os altos índices ao descaso da população. Para outros, o sistema de saúde pública local apresenta falhas. A agente de gestão pública, Leia Marques, de 43 anos, é moradora do Jardim América II há cinco anos e teve um caso da doença dentro da própria casa. “Meu marido teve coronavírus recentemente e só nós sabemos o sacrifício que foi para que ele conseguisse ser atendido pelos órgãos de saúde. Tivemos que dar o nosso jeito e comprar o teste por conta. Só assim vimos que de fato ele estava contaminado”, compartilha, valendo-se de que a falta de eficiência dos pontos de atendimento dificulta não só a rapidez do diagnóstico, como também o início do tratamento.

A dona de casa Delmine Nunes, de 60 anos, reside do Jardim Satélite e também demonstra preocupação. “Dois vizinhos faleceram pela doença. Eu tenho tomado meus cuidados, mas sinto medo, principalmente sabendo que eu faço parte do grupo de risco”, reconhece.

Por outro lado, há quem encontre conforto nos métodos alternativos, mas não comprovados pela ciência. Esse é o caso do aposentado João Oreana, de 80 anos. “Acabei de buscar minha vitamina C na farmácia. Confesso que não sinto medo do vírus não. Eu uso minha máscara e só saio de casa quando necessário e para mim isso tem sido suficiente”, alega o idoso.

DESCUIDO
Ainda que nas ruas do Centro a adesão da população ao uso das máscaras seja grande, não é preciso ser muito observador para notar os comércios não essenciais com meias portas abertas funcionando normalmente. Assim, há muitos clientes entrando sorrateiros pelo vão discreto da entrada, mesmo sem a autorização da Prefeitura Municipal.

Rosimeire dos Santos, de 51 anos, é funcionária de um pequeno mercado, atividade que consta entre os serviços liberados na fase vermelha. Ela alega que é importante que os comércios em funcionamento tenham ciência dos cuidados que devem ser tomados, principalmente neste momento crítico da pandemia na região. “Em nosso estabelecimento, colocamos faixas para controlar a entrada dos clientes e a máscara e o álcool gel já são de lei”, conta, mas ressalta que nem todos os comerciantes têm essa mesma cautela.

Essa situação se estende a outros bairros. É o que conta a varzina Priscila Nunes, de 28 anos. “A falta fiscalização na cidade é um grande problema. No Jardim Promeca, por exemplo, está tudo funcionando normalmente. Não conseguiremos superar essa pandemia se as pessoas não levarem a doença a sério. Não é brincadeira, as pessoas estão morrendo”.

AÇÕES LOCAIS
A Prefeitura de Várzea Paulista alega que a fiscalização dos comércios ocorrerá enquanto vigorar o decreto sobre a quarentena no município. Até o momento a Ouvidoria Municipal registrou aproximadamente 60 reclamações, entre estabelecimentos não essenciais abertos, aglomerações e descumprimentos.

A gestão alega ainda que para a testagem, o município segue os protocolos do Ministério da Saúde, ou seja, para os sintomáticos respiratórios e para os casos leves de isolamento social, a testagem é feita após 14 dias. Para os casos mais graves, o teste é imediato. Não foi informado quantos munícipes foram testados até o momento.


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