Jornal de Jundiaí | https://www.jj.com.br

Venda direta de combustível afetará preço, fiscalização e logística

Kátia Appolinário | 03/07/2020 | 05:45

O Governo Federal anunciou esta semana, a aprovação da venda direta do etanol para os postos de combustíveis. A medida, aprovada pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), afeta toda a dinâmica logística, tributária e comercial dos combustíveis, ou seja, não mais necessário seguir a norma estabelecida pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), que determinava que era preciso que o etanol passasse da usina para as distribuidoras.

Para especialistas, a exclusão dessa mediação não é necessariamente positiva, uma vez que irá afetar o setor logístico e poderá inclusive afetar a distribuição do produto. É o que explica o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo (Recap), Flavio Martini de Souza Campos. “Locais mais longínquos vão acabar ficando sem receber o etanol, uma vez que sem as distribuidoras isso ficaria impraticável ou então exigiria altos investimentos logísticos, como aumento da frota de caminhões, uma base própria de carregamento e a estruturação de uma nova dinâmica para que o combustível possa chegar a todos os postos, principalmente dos estados em que não há produtores locais”, afirma Campos, alegando que, por este motivo, a mudança talvez impacte negativamente no preço do produto.

Ele enfatiza que as distribuidoras eram as principais responsáveis pelo controle de qualidade e fiscalização dos combustíveis antes de chegarem a seu destino final. “Nesse cenário é preciso pensar em como ficará a questão tributária, uma vez que o álcool já é um produto com alto nível de sonegação e, sem esse controle, a tendência é que a sonegação aumente”, explica o presidente.

IMPACTO NO BOLSO
Nos postos de gasolina da cidade, os frentistas e consumidores questionam como a medida irá refletir no valor final do produto. Para o gerente de pista Edicarlos Alves da Costa, de 38 anos, o impacto será negativo. “A venda direta resultará em um custo maior para nós e isto incidirá no valor para o consumidor final”, lamenta, valendo-se de que a alta dos preços ao lado da crise gerou uma queda de 50% no faturamento do posto.

Os terceirizados acreditam que serão os mais afetados pelo valor do produto final, como é o caso do caminhoneiro Lucílio Félix dos Santos, de 35 anos. “Eu rodo em média 250 quilômetros por dia e por isso acabo gastando em média R$1400 de combustível por semana”, compartilha.

O motorista Everton Pereira Porfírio, de 40 anos, utiliza a moto como instrumento de trabalho e não sabia ainda da medida recém-aprovada. “Por mês eu gasto em média R$300, o que para mim é um valor muito alto, então se for algo que vá nos privilegiar, eu sou a favor. O que não dá é pagar cada dia mais por algo que precisamos para trabalhar” diz.

Segundo a ANP, entre os dias 14 e 20 de junho, o valor médio de revenda da gasolina comum estava em R$3,98 o litro, o que representa uma elevação de 1,92%. O etanol, hidratado, por sua vez, estava sendo comercializado a R$2,68 o litro, o que corresponde a um aumento de 2,68% em relação ao período de 7 a 13 de junho.

Esses valores impactam diretamente os lucros de Fernando Pupo, de 38 anos, que é proprietário de uma transportadora. “Para nós que trabalhamos na área de transportes, o ideal seria que o valor barateasse. Do total que eu ganho com os fretes da minha empresa, 35% vai para gastos com combustível”, alega.

 


Link original: https://www.jj.com.br/jundiai/venda-direta-de-combustivel-afetara-preco-fiscalizacao-e-logistica/
Desenvolvido por CIJUN