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Vendas em domicílio crescem durante a crise

KÁTIA APPOLINÁRIO | 09/06/2020 | 05:00

Com o fechamento do comércio e a parada de alguns serviços de beleza como esteticistas e manicures, muitas pessoas tiveram que reinventar seus negócios para não ficar no negativo. Neste cenário, as sacoleiras entraram em ação e voltaram com tudo levando seus produtos até o cliente para que ele faça suas compras sem precisar sair de casa.

Mesmo com a reabertura do comércio de rua e dos shoppings, elas continuam complementando a renda em até 70%. Para quem já praticava a ação, a crise foi um prato cheio para alavancar as vendas. Esse é o caso de Fabíola Camila dos Santos Sousa, de 32 anos, que desde 2018 atua como sacoleira, termo designado para se referir ao trabalho das mulheres conhecidas por levar ‘sacolas de roupa’ para as clientes. “Desde o início da quarentena minhas vendas tiveram um crescimento de 70%. Eu confesso que não esperava por toda essa demanda”, compartilha a vendedora de artigos femininos.

Ela conta que não há novidade no método, basta estar atento às novidades. “Eu faço a sacola com os produtos de interesse e levo até a casa do cliente. Ele fica com os itens o tempo necessário para fazer a escolha, em média uma semana e, em seguida, eu volto para buscar o restante”, conta.

Para divulgar os produtos, ela afirma ainda que a internet tem auxiliado, mas que nada substitui o bom e velho boca a boca. “Os próprios clientes vão falando um para o outro e assim eu amplio o meu público e por consequência, faturo mais”, ressalta.

As vendas em domicílio também foram a opção para aqueles que tiveram que fechar seus pontos comerciais por conta do decreto municipal no final de março. A comerciante Rosana Gomes Sedan, de 54 anos, por exemplo, tem uma loja no bairro Anhangabaú há 20 anos e teve que inovar para pagar as contas. “Além da loja física, eu vendia roupas e acessórios indianos nas principais feiras da cidade, um dos primeiros serviços a serem suspensos. Assim voltei a optar pela entrega em domicílio. Como minha clientela já é fidelizada, temos uma relação de confiança e o esquema deu muito certo”, afirma.

Mesmo com a flexibilização das atividades econômicas e a reabertura gradual do comércio, ela acredita que o tradicional trabalho das sacoleiras ganhará ainda mais força. “Digo isso não só pelo conforto de receber o produto sem sair de casa, mas também porque a venda presencial terá que ser repensada para a segurança de todos”, reflete.

BELEZA
E se levar roupas e sapatos para as clientes é um negócio que deu certo, levar beleza foi um bom negócio. A esteticista Cristiane Filippi, de 42 anos, ao lado da cabeleireira Juliana Resende, de 34 anos, optou pela venda de lingeries para fazer uma renda extra. “Com a suspensão dos serviços fiquei mais de 20 dias sem atender nenhuma cliente e, por consequência, sem entrada de renda. Incentivada pela minha amiga e colega de trabalho Juliana, vi na venda de lingeries uma grande oportunidade, principalmente porque eu já trabalho com um público feminino”, explica.

Para ela, a venda em domicílio trouxe um incremento de 35% à sua renda mensal. “Com todas as lojas fechadas, o trabalho das sacoleiras foi um grande facilitador para as donas de casa. O mês de maio foi maravilhoso para nós”, conta a empreendedora que pretende continuar com as vendas mesmo após a pandemia. “Penso em até mesmo expandir minha venda para outros produtos como acessórios de beleza”.

Cristiane ressalta ainda o esmero pela seleção dos produtos. “Minhas clientes merecem o melhor, por isso fiz questão de trabalhar com uma marca de alta qualidade. Ninguém merece comprar algo que após a primeira lavagem vai direto para o lixo”, reitera.

COLOQUE EM PRÁTICA
Para quem pretende iniciar na modalidade, não há segredo. Há inúmeras empresas que disponibilizam produtos para venda consignada, como lingeries, artigos femininos, masculinos, joias e calçados. Existe ainda a opção de comprar produtos diretamente em grandes centros comerciais que oferecem preços acessíveis para quem adere ao atacado.


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