Jundiaí

Venezuelanos buscam construir uma nova história em Jundiaí

T_DSC_9708
Crédito: Reprodução/Internet
Não é de hoje que famílias venezuelanas se arriscam ao atravessar a fronteira e chegar ao Brasil para fugir da miséria e buscar uma vida melhor. Para isso, passam por uma longa e perigosa jornada e na maioria das vezes o trajeto é feito de forma improvisada. Com a fronteira do lado venezuelano fechada por conta da pandemia, o percurso ficou ainda mais difícil e perigoso. Sorte de quem chegou antes do fechamento da fronteira e da pandemia, porém não menos árduo. Há um ano no Brasil, o ex-garimpeiro José Rafael Torres Torres, de 31 anos, veio com a família tentar uma vida melhor e no caminho tem encontrado alguns ‘anjos’, um deles aqui em Jundiaí. Torres morava na cidade de Boliva, bem próxima da fronteira com o Brasil. Ele sofreu um acidente ao cair de uma altura de 20 metros, fraturando a coluna torácica 4 e ficando momentaneamente paraplégico. No seu caso, o próprio governo venezuelano autorizou a vinda dele ao Brasil para tratamento em Roraima, por falta de recursos no seu país. Mesmo em uma cadeira de rodas, ele conta que encontrou uma vida muito melhor, mais tranquila e segura aqui, mas passou por extrema dificuldade no processo. “Após a cirurgia, fui muito maltratado no hospital em Roraima e, por ter ficado muito tempo deitado e abandonado, surgiram diversas escaras em meu corpo, que até hoje estou tratando. Agora já está muito melhor, mas o sofrimento foi grande”, lembra. Mesmo sem se recuperar totalmente, ele saiu do hospital e foi morar na rua junto com a esposa Ariannys Celimar Pérez, de 18 anos, e do filho Jonathan, que nasceu durante esse tempo no Brasil. Foi nesse período em que ele conheceu a ONG Refúgio 343, uma organização humanitária focada em refugiados, sendo apadrinhado por uma embaixadora do refúgio, Juliana Zochetti, de 40 anos, que trouxa a família para Jundiaí. “Caso ele não fosse resgatado, muito provavelmente teria morrido por uma infecção generalizada por conta dessas escaras. Nosso objetivo agora é finalizar seu tratamento e, assim que possível, arrumar um emprego para a Ariannys assim que as creches voltarem a funcionar para que possa deixar o filho pequeno e conquistar uma independência financeira”, comenta. ANJO DA GUARDA Juliana assumiu o compromisso de arcar com as despesas da família pelo período de seis meses, até que eles conquistem certa autonomia. “O tratamento pelo SUS também tem sido excelente, ele recebe de duas a três visitas por semana de médicos e enfermeiros para avaliação e troca de curativos.” Torres não esconde a felicidade de estar em Jundiaí e acredita que poderá voltar a andar e arrumar um emprego. “Assim que me curar totalmente dos ferimentos vou iniciar a fisioterapia para recuperar os movimentos das pernas. Penso em trabalhar em uma oficina mecânica, que é onde já tenho certa experiência, ou mesmo como pedreiro ou algo do tipo. Gostamos daqui e não pensamos em sair de Jundiaí”, diz. O Refúgio 343 é uma organização humanitária, dedicada a prestar ajuda a imigrantes e resgatar famílias venezuelanas refugiadas no Brasil, através do processo de interiorização, uma estratégia de deslocamento planejado das famílias para outros estados brasileiros. No município ainda existem outras famílias estrangeiras, mas algumas recusam ajuda. A Unidade de Gestão de Assistência e Desenvolvimento Social (UGADS), da Prefeitura de Jundiaí, recebeu uma ligação no início da tarde de quinta-feira (13), com a indicação de um grupo de estrangeiros na Vila Arens. No local, a equipe abordou uma mulher com uma criança, que indicou possuir local de moradia em uma pensão e que usava as ruas somente para ganho. Durante a abordagem, a equipe ofereceu os serviços da rede socioassistencial e acionou o Conselho Tutelar, mas a oferta foi recusada e a mulher se evadiu do local, momento em que se notou a presença de prováveis integrantes de mesmo núcleo familiar. [caption id="attachment_99410" align="aligncenter" width="800"] .[/caption]

Notícias relevantes: