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Vila Maringá lidera o ranking com 234 casos

KÁTIA APPOLINÁRIO | 01/07/2020 | 05:00

Assumir um ranking nem sempre é sinônimo de estar entre os melhores. Prova disso é a Vila Maringá, na região Sul de Jundiaí, que desbancou o Jardim Novo Horizonte e o Jardim do Lago nos casos de maior concentração de casos de coronavírus. São 234 moradores contaminados, o que corresponde a 6,2% dos 3.739 casos registrados em Jundiaí. São cinco mortes, 22 casos ativos e 192 curados.

Mesmo com os índices, os moradores da região não parecem surpresos. É o que conta o comerciante e morador do bairro, Rodrigo de Souza, de 39 anos. “É claro que estamos no topo porque ninguém respeita as regras. Aqui ninguém usa as máscaras. Assim fica difícil impedir a disseminação do vírus. Não estou exagerando e digo isso porque consigo contar nos dedos as pessoas que levam a doença a sério por aqui”, afirma.

Além disso, não é difícil encontrar no bairro pessoas que já tenham enfrentado o vírus ou que conheçam alguém que tenha passado por essa situação. A administradora Silvia Cristina Prestes, de 40 anos, conta que a mãe venceu a luta contra a covid-19 há uma semana. “Ela ficou internada na UTI do Hospital São Vicente por 15 dias. A recuperação dela foi praticamente um milagre, levando em conta que ela é uma idosa de 66 anos e que já possuía diabetes, triglicérides e doenças cardiovasculares”, explica, comemorando a volta da mãe para casa.

Para ela, a cura da mãe não é motivo para desleixo. “Sei que ao contrário dela, muitas pessoas não estão resistindo à doença. Cabe a nós termos consciência de nossos atos e tomar todos os cuidados de higiene, como utilizar álcool gel e máscara”, compartilha.

Essas medidas de segurança também estão sendo tomadas pela farmacêutica Eliana Reani, de 36 anos, que mora no bairro há oito anos. “Estou tentando me cuidar e fazer o que eu posso. Só saio de casa quando preciso, como para fazer compras do dia a dia e sempre uso máscara”, afirma.

COMÉRCIOS
Nos estabelecimentos comerciais da Vila Maringá, o medo da doença também é incidente. O comerciante Rafael Ribeiro, de 24 anos, mora em Várzea Paulista, mas se desloca até o bairro todos os dias para trabalhar e lamenta o descaso dos moradores. “Por aqui, vejo que muita gente não respeita as normas, não usa máscara e sai na rua só para passear. Me sinto exposto por conta das pessoas que não levam a doença à sério. Eu preciso trabalhar”, relata.

Para ele, não há justificativa para não seguir as regras. “Não é falta de informação. Todo mundo sabe a gravidade da doença, mas a impressão que eu tenho é que eles acham que nunca vai acontecer com eles”, reflete.

Renato Miranda dos Santos, de 51 anos, é proprietário de uma loja de materiais de construção do bairro e está indignado com a falta de adesão da população às máscaras. “Tive que proibir a entrada dos clientes que não estão seguindo as regras e, para aumentar a nossa segurança, coloquei uma barreira de acrílico em nosso balcão”, conta.

OS VICES
Mesmo que a Vila Maringá lidere os casos de infectados, o Jardim Novo Horizonte não está longe do pódio. Com 220 casos positivos, nove mortes foram registradas no bairro que até a tarde desta terça(30) contabilizava 24 casos ativos.

O Jardim do Lago, por sua vez, está em terceiro lugar com 208 casos confirmados, mas é o bairro com maior concentração de mortes causadas por covid-19. Até o momento, foram registradas 13 óbitos no local, o que corresponde a 7,10% dos falecimentos no município.

Silvia Cristina Prestes está cuidando da mãe que adquiriu o coronavírus

Rodrigo de Souza acredita que o uso de máscaras é sempre indispensável


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