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Voluntários ajudam jovens e adultos a conquistarem o diploma

Plínio Teodoro | 08/08/2018 | 13:00

Para alguns, o Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos (Encceja) é apenas uma prova. Para outros, é muito mais do que isso. Aos 55 anos, Maria Janete Silva Ribeiro foi uma das 789 mil pessoas de todo o Brasil que voltaram às cadeiras dos colégios no último domingo (5) para prestar o Encceja e realizar um antigo sonho: obter o certificado do ensino médio.

“As pessoas têm medo, mas não podem ter medo. Esse era um sonho de menina e se tornou uma questão pessoal.” Realizado desde 2002 pelo Ministério da Educação, o Encceja é destinado a jovens e adultos que não concluíram seus estudos em idade apropriada e buscam certificados dos ensinos fundamental e médio.

Hoje casada e mãe de três filhos, a moradora do bairro do Retiro, em Jundiaí, conta que em sua época de “colegial” o atual ensino médio era oferecido em poucas escolas, sendo a Escola Estadual Doutor Antenor Soares Gandra, localizada na região central da cidade, a mais próxima de sua casa. “Eu trabalhava, ajudava em casa, olhava o irmão e tive que fazer escolhas”, lembra ela, que contou com o apoio da filha, a psicóloga Daphne Ribeiro, para enfrentar o desafio.

PROJETO ENCCEJA MARIA JANETE RIBEIRO DAFINE CAROLINE RIBEIRO

“O governo só oferece a prova e não existe nenhuma preparação. Percebemos que as pessoas tinham dificuldade emocional e até mesmo em relação às questões burocráticas para realizar o exame e resolvemos agir”, afirma Daphne, que também é diretora de Assistência Social e Educação da Associação de Moradores da Região do Retiro.

Em parceria com a Escola Estadual Diogenes Duarte, a associação – que atua formulando políticas públicas em bairros do vetor oeste de Jundiaí – desenvolveu o Projeto Encceja. A ação reuniu 12 professores voluntários que durante os meses de junho e julho, em aulas noturnas, capacitaram 30 estudantes com idade entre 20 e 55 anos para a realização do exame. “Agradecemos a todos os professores voluntários; foi um trabalho fantástico”, diz Sandra Cristina Silva, diretora da escola.

Daniel Lemos, presidente da associação, afirma que em pouco tempo o projeto cresceu e atualmente está sendo realizada uma pesquisa na região para levantar o número de pessoas que querem continuar os estudos em idade avançada. “Ainda estamos em fase preliminar, mas já detectamos 60 pessoas. O objetivo é levar esses números para cobrar do poder pública a instalação de uma sala de educação de jovens e adultos na região.”

Janete, que aguarda ansiosa o gabarito da prova no próximo dia 14, já comemora o seu sucesso e espera que mais pessoas tenham a oportunidade que ela está tendo. “A preparação é importante, pois abriu minha cabeça. Ter contato com os professores, uma relação humana que mostra o quanto somos capazes, já é uma vitória.”


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