Jundiaí

Voz do SBT na política de Várzea Paulista

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Crédito: Reprodução/Internet

Ele é jundiaiense de nascença e varzino de coração. Sua formação em rádio pelo Senac foi influência de seu pai,  Armando Peres, o terceiro radialista que Jundiaí já teve. Das ondas da rádio para a transmissão da televisão foi questão de tempo e de desenvoltura - característica que levou Adlei Valmik Peres ao quadro Telegrama Legal, do Programa Legal do SBT, sucesso da década de 1990, com apresentação de Gugu Liberato. Caiu na graça de Silvio Santos e passou a gravar chamadas de outras atrações da emissora. Hoje, aos 40 anos, continua atuando como comunicador, mas em uma área onde o desafio é outro: ajudar a população de Várzea Paulista, onde assumiu o cargo de secretário adjunto de Comunicação. Nesta entrevista, ele fala da relação com Gugu Liberato e Silvio Santos e porque decidiu migrar para a política.

Jornal de Jundiaí - Você acha que o seu pai te influenciou de alguma maneira ou você se sentia um predestinado a trabalhar com comunicação?

Adlei Valmik - Sim, eu acredito que meu pai tenha me inspirado. Eu sou o caçula dos seis irmãos e fui o único a seguir a carreira de comunicação artística, mesmo tendo tido a oportunidade de trabalhar com a comunicação estratégica e marketing. Eu adoro atuar em todas estas áreas e não me vejo fazendo outra coisa.

Mas você também teve a oportunidade de trabalhar em empresa?

AV - Sim. Eu tive uma vasta experiência na iniciativa privada. Uma das últimas em que atuei foi na Frutiquello Sorvetes, onde tive a oportunidade de fazer o ‘training marketing‘ (gestão do ponto de venda) usada pela empresa até hoje, inclusive nas franquias que a empresa tem espalhada pelo Brasil. Nesta área de gestão eu gosto muito de trabalhar.

Você já admitiu que o seu pai exerceu influência na escolha da sua profissão, mas nem sempre é assim. Então, o que de fato te atraiu para a comunicação?

AV - Eu acho que acompanhar o meu pai, que sempre foi meu grande ídolo, contribuiu para que eu seguisse esta carreira. Eu tenho uma grande admiração pela voz dele e algumas passagens que me marcaram, quando ele ainda trabalhava na rádio e na televisão em São Paulo. Isso em uma época em que o Silvio Santos ainda era de circo. Em um dos show que fizeram juntos, o Silvio teve um problema no carro e meu pai e o Roque (acompanhante de palco do apresentador) tiveram que empurrar. Como forma de agradecimento, o Silvio deu um lanche de mortadela para cada um. Então, a paixão veio destas situações que me pai me contava.

Mas como foi o seu começo?

AV - Eu comecei como locutor em supermercado em Jundiaí, na década de 1990. Foi na loja cinco do Russi (Centro). Em seguida fui para o Carrefour. Dos supermercados para a rádio foi questão de tempo e logo tive a oportunidade de trabalhar na Jovem Pan Piracicaba (a primeira a adquirir a tecnologia satélite no Brasil) de propriedade da família Matos. Portanto, eu tive a oportunidade de trabalhar na primeira rádio Jovem Pan Sat do País. Depois fui para a Jovem Pan São Paulo fazendo apenas operação de áudio. Na época, locutor não acumulava a função de operador e locutor, como hoje em dia.

E a sua ida para o Programa Domingo Legal, do Gugu Liberato?

AV - Foi na década de 1990, quando neste programa existia o quadro Telegrama Legal e eu tive a grande oportunidade de ser o primeiro repórter. Gravei três Telegramas, dois inclusive em Jundiaí, no extinto Café Tequila e no Center Park. Na época, as gravações eram feitas em fitas K7 para a aprovação de voz. Eu me desliguei das empresas em que trabalhava e o dinheiro que recebi investi na televisão. O Sérgio Santos, ainda hoje diretor de externa do Domingo Legal, foi quem me deu a oportunidade de gravar para valer com Lilian Gonçalves, empresária de São Paulo. Depois da minha participação do Telegrama Geral surgiram outras oportunidades de trabalho como locutor, incluindo vinheta de programa, como o ‘Passa ou Repassa‘, apresentado por Celso Portioli e o Programa ‘Fantasia‘. 

Como locutor, você teve alguma experiência em Jundiaí?

AV - Em Jundiaí, por três anos, eu fui o locutor oficial da TV Rede Paulista, quando era afiliada da TV Cultura. Além disso, quando a Produtora Ponto Onze nasceu, eu fui um dos primeiros a gravar uma chamada, no espaço físico do Grupo JJ e que seria vinculada à antiga TV Aliança (afiliada da TV Globo). Eu me recordo que esta gravação foi feita direto na câmera e dirigida por Tobias Muzaiel Júnior. Então, a minha história com a televisão começou daí também. 

Como foi trabalhar diretamente com Gugu Liberato?

AV - Eu sou simples: nasci em Jundiaí, moro em Várzea Paulista e nunca escondi isso de ninguém. A humildade foi um valor que meu pai fez questão de deixar a mim e meus irmãos. Porque estou dizendo isso: houve uma ocasião que eu fui advertido por uma funcionária da produção do Programa Domingo Legal porque ousei pegar um café da máquina. Qual não foi minha surpresa quando Gugu me tranquilizou dizendo que eu poderia tomar quantos cafés quisesse. Então, não é a pessoa, independentemente de onde esteja atuando, mas quem está à volta.

Outro fascínio que você tem é a política?

AV - Tudo começou quando eu recebi o convite para fazer parte do Partido Verde (PV) de Várzea, de onde vieram as oportunidades de trabalhar na parte técnica da comunicação na política, me levando à Brasília, a trabalhar na Câmara de Jundiaí. Eu acho que na área da comunicação é preciso aprender a flutuar em diferentes braços que te darão muitas ferramentas. O mais fascinante na política, para quem trabalha na comunicação, são os bastidores e todo o marketing que envolve a política.

Mas a política, mesmo trabalhando nos bastidores, pode destruir uma carreira construída com sacrifício. Vale a pena o risco?

AV - Mais uma vez tive influência do meu pai, que na época fazia locução para a APAE de Várzea Paulista, cujo presidente é o atual prefeito varzino Juvenal. Eu era criança, mas me lembro como se fosse hoje, e desta relação de amizade entre o meu pai e o Juvenal surgiu o interesse e a curiosidade em me engajar na política, sem me afastar daquilo que eu considero sendo o meu grande dom: a comunicação. Ao unir política e comunicação é possível ajudar a população. Isso é muito gratificante.

Como você vê o futuro da comunicação?

AV - Quando eu comecei, fazendo locução em supermercado, eu já tinha uma visão de que é preciso aprimorar sempre. Naquela época, eu acreditava que os mercados adotariam cabines com locução, o que de fato ocorreu. Com a chegada da internet, a comunicação continuou acontecendo desta forma, mas já linkada às redes sociais. Hoje, todos sabemos que a mídia eletrônica é um braço muito forte da comunicação. O Facebook, o Instagran, o Twitter estão aí para não nos deixar dúvidas. Então, eu acredito que a comunicação deva mesmo seguir esta tendência. A transição da AM para FM deve também melhorar o sinal, na questão das rádios. Para a TV se torna obrigatório a ligação com a internet. Enfim, a qualidade de som e de imagem com ligação à internet devem nortear o futuro da comunicação. Este é um casamento perfeito.

E a sua experiência com Silvio Santos?

AV - Para ser sincero eu tive dois contatos com Silvio. Minha ligação era mesmo com a Dória Abravanel (sobrinha do apresentador). O primeiro Telegrama Legal que gravei não tinha dinheiro para comprar terno e gravata e a emissora, não apenas cedeu o figurino, como me colocou no camarim do Silvio Santos. O detalhe é que eu não sabia disso. Quando ele chegou eu tive a reação que qualquer pessoa teria: fiquei estático, mesmo sendo ele a mesma pessoa que vemos na televisão. O jeito de falar, a maneira de abordar. O outro contato foi mais rápido, em um café da emissora e ele, preocupado, questionou sobre a minha voz. De qualquer forma, com o tempo, fui conseguindo fazer outros trabalhos, como a gravação das chamadas do Tele Ton. 


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