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Zoonoses reforça ações no combate aos criadouros do Aedes aegypti

DA REPORTAGEM LOCAL | 26/01/2019 | 19:34

“As dores eram terríveis. Não é a primeira vez que eu pego dengue, mas aqui no bairro, a população não colabora. Joga lixo em qualquer lugar. E isso acumula água para os mosquitos botarem os ovos e criarem cada vez mais”, comenta Vagner Treguar, 28 anos, morador no Jardim São Camilo. Ele começou a ter os sintomas da doença no dia 28 de dezembro. A confirmação chegou na primeira semana de 2019. Além do rapaz, outras quatro pessoas também foram confirmadas com dengue no bairro, entre dezembro/2018 até agora.

Outros bairros também registram suspeitos. Para conter o avanço da doença pela cidade, a Unidade de Vigilância de Zoonoses (UVZ), órgão da Unidade de Gestão de Promoção da Saúde (UGPS), realiza ações de bloqueio, investigação epidemiológica e intensifica a orientação dos moradores sobre os riscos das arboviroses no Município. Neste ano, a cidade registra 8 casos positivos, sendo 2 autóctones e 4 em investigação.

Nos bairros Jardim Paulista, Jardim do Lago, Jardim das Hortênsias, Santa Gertrudes e Novo Horizonte, onde há o registro de casos em investigação sobre a origem da contaminação, as ações são direcionadas para a investigação epidemiológica, busca ativa de novos sintomáticos, orientação da população feita casa a casa pelos técnicos. No São Camilo, especificamente pela característica do bairro, localização dos casos e transmissão autóctone, a UVZ realizou, além das ações desencadeadas nos demais bairros, duas ações de nebulização (nos dias 10 e 25 de janeiro).

Morador no Jardim Paulista, Kurt Sierwert, 62 anos, recebeu a visita do agente de Zoonoses na última sexta-feira (25). Com uma fonte no jardim da residência, o proprietário do imóvel é cuidadoso. “Nunca tivemos dengue, mas tomamos todos os cuidados para evitar qualquer situação que coloque a família em risco. Na fonte, por exemplo, usamos água sanitária para evitar qualquer possibilidade de os mosquitos colocarem ovos”, argumenta.
A medida, segundo a agente de Zoonoses Maria Inês de Souza é positiva. “Quem tem fonte e piscina em casa deve manter a água tratada, pois esses lugares são passíveis, se não cuidados, de se transformarem em criadouros. Latas, baldes, garrafas, lonas e outros objetos que acumulem água, assim como as calhas e ralos também podem ser espaços para a criação dos vetores”, detalha.

Casos
Ao todo, Jundiaí registra, em 2019, até o dia 24 de janeiro, 60 casos suspeitos, 8 casos confirmados (2 – autóctones, 2 – importados e 4 – em investigação). No ano de 2018, a contagem chega a 388 casos notificados, 12 confirmados (5 – autóctones, 6 – importados e 1 – indeterminado).

“Com as altas temperaturas, o ciclo biológico do Aedes aegypti pode se completar em 7 dias, entre ovo e alado. Essa rapidez exige atenção extrema da população. Qualquer local ou objeto que possa acumular água serve como criadouro. Para combater a dengue, zika, chikungunya e até a febre amarela, além do trabalho desenvolvido pelo poder público, é fundamental que a população cuide de casa e dos quintais”, alerta do gerente da UVZ, Carlos Ozahata.

De acordo com a biomédica da UVZ, Ana Lúcia de Castro Silva, a dengue tem como sintomas dor de cabeça intensa, manchas vermelhas pelo corpo, febre, coceira leve, dor nos músculos intensa e, em situações raras, inchaço nas articulações, acometimento neurológico e conjuntivite. “É importante que as pessoas busquem atendimento médico logo nos primeiros sintomas para que seja feita a notificação à UVZ e possam ser realizados os exames de diagnóstico. De acordo com dados estaduais, há ocorrência de dengue tipo 2, que não circula no Estado há muito tempo. Isso significa que boa parcela da população não é imune à doença”, detalha.

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