Opinião

Uma palavra mágica nas artes


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COLUNISTAS GUARACI ALVARENGA
Crédito: divulgação

A notícia de não poderia ser mais alvissareira no campo das artes. O prédio do antigo mercado municipal, que foi construído em 1933, sediou a primeira Festa da Uva, em 1934, será reformado. Após ficar fechado por vários anos, o edifício foi adaptado para abrigar um novo centro de compras - o Centro das Artes - e um auditório, a Sala Glória Rocha. Em outubro de 1982, o imóvel foi parcialmente destruído por um incêndio e reaberto em 1985.

Reinaugurado em 8 de junho de 2001, o renovado Centro das Artes criou novos espaços como a Galeria de Artes, novos jardins e um moderno sistema de som. Em 2013, a Sala Glória Rocha foi fechada para reforma.

A lacuna aberta tocou a fundo o meio artístico. Recordo-me do primeiro concurso literário de poesias. Todos os presentes evocavam sensações, impressões e emoções. Todos ali tinham a certeza de estar fazendo um passeio maravilhoso. Um livro carregado de comoventes poesias. Páginas cheias de beleza e palpitantes na vida. Ali reunidos 50 artistas da palavra. Suas poesias premiadas foram encenadas e interpretadas por jovens brilhantes atores. Um nobre resgate da rica cultura da cidade, às vezes tão esquecida. Foi uma noite memorável. Ao final, todos os escritores premiados tinham uma palavra de agradecimento. A esposa, aos filhos, aos amigos e a Deus.

Gostaria de citá-los um a um, mas o espaço não permite, perdoem-me. Para nossa querida regente Cláudia Feres, da Escola de Música de Jundiaí, a doce lembrança do Glória Rocha não cabe apenas à classe artística da cidade, mas a toda a população, que sempre esteve muito presente no teatro. “O Glória Rocha é muito querido para mim desde a infância, quando eu estudava no Conde (Escola Conde do Parnaíba) e atravessava a rua para participar de feiras de ciências da escola.”

O sonho da gestora de Cultura, Vasti Ferrari Marques, seduzida pelo amor ao patrimônio da cidade, não perde forças para que Jundiaí seja conhecida também como a Terra da Cultura. Confesso que fiquei motivado a escrever este artigo ao ler neste conceituado Jornal, que a mais aconchegante sala de espetáculos e preferida dos artistas locais, o histórico Gloria Rocha terá licitação de obras aberta já em outubro. São 3,6 milhões reservados no orçamento.

Foi neste momento que tive a certeza, que como nos versos de Drumond de Andrade, quando os poetas desencantam a senha da vida, a senha do mundo, nunca desanimam e procuram sempre, a nossa cidade, também, por fim encontrou sua Palavra Mágica em nossa cultura. Como afirmou Leon Tolstói, as grandes obras de arte somente são grandes por serem acessíveis e compreendidas por todos. Que o grande Glória Rocha seja o centro mais representativo de nossa expressão artística.

Guaraci Alvarenga é advogado


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