Opinião

Não basta ser racista. Tem que ser antirracista


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ARTICULISTA EGINALDO ONÓRIO
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Muito interessante o recente posicionamento que se amolda à frase deixada por M. L. King afirmando: "Nossa geração não lamenta tanto os crimes dos perversos quanto o estarrecedor silêncio dos bondosos", que bem representa o título desta matéria.

Muito se fala e repete por todos os meios, as mais vaiadas mensagens de solidariedade, condolências, sensação de dor diante de ocorrências violentas ou de desastres, porém nada ou pouco se faz para eliminar sua repetição.

É certo e estamos presenciando tímidas mudanças, a exemplo a recente manifestação do ministro Barroso que, à frente do Tribunal Superior Eleitoral, ao decidir pela legalidade, custeio proporcional e regime de cotas raciais para as eleições de 2022, disse que é passada da hora de "escrever a história do Brasil com tintas de todas as cores".

Na mesma trilha, estamos presenciando mais negros e negras nos comerciais de televisão e, mesmo assim, se mantém a naturalização do alto índice de morte violenta dessa gente; da negação de oportunidade no mercado de trabalho; o judiciário ainda com a mão pesada contra os envolvidos em crimes e bem leve quando vítimas de atos racistas; os empecilhos impostos a implementação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação que obriga o ensino da história da África e Afro-brasileira, entre outras dificuldades experimentadas por tão importante e valorosa parcela da população, agravando os índices de desigualdades e diferenças.

Como se sabe o conhecimento liberta todavia, noutros, aprisiona e aqui destaco que, em vários relatos dos que se aprofundaram nos estudos e dados estatísticos relacionados ao tema, em muitas oportunidades, se enquadram em condutas racistas desde a utilização de palavras com conotação ofensiva e racista a piadas/brincadeiras envolvendo o segmento e, quando isso ocorre, preferem manter a omissão e silêncio. Isso é fato!

É de fundamental importância o papel da escola - em sentido amplo - para o trato do tema, posto que a criança, por exemplo, não nasce racista e, na medida em que recebe ensinamentos relacionados à questão, com absoluta certeza, enxergará a diferença de cor sem a conotação maldosa imposta ao longo dos tempos.
Invariavelmente, ao abordar a questão, surgem manifestações dizendo que "somos todos iguais", porém, ao serem indagados se gostariam de viver na pele de uma pessoa negra, o silêncio é sepulcral. Então? Se assim é, por que não quer viver enquanto um negro??? É muita hipocrisia, chegando às raias da psicopatia (incapacidade da prática da empatia).

Recentemente nos deparamos com atos violentos contra integrantes da comunidade negra, que são presos, julgados e até executados apenas pela cor da pele. Já repararam nisso? Na real sempre houve. Acontece que agora é possível filmar e fotografar!

Comendador doutor EGINALDO HONÓRIO é advogado


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