Opinião

Cachoeiras da Serra do Japi

Desvendar a Serra do Japi sempre foi atração, mas poucos a adentravam


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ANTONIO FERNANDES PANIZZA PRIMEIRO PLANO DIRETOR DE JUNDIAI
Crédito: divulgação

As reflexões quase sempre trazem lembranças respondendo ao desejo de se rever o passado, mas por vezes perguntas afloram sobre o porquê de mudança havidas e o rumo original poderia ser mantido. No caso, percorrendo o túnel do tempo,se pode alcançar um período na aproximação dos anos cinquenta. Naquela época, o primeiro de maio, dia do trabalho, era muito comemorado com pequenos piqueniques no campo, em sítios e locais pitorescos. O automóvel era escasso, mas, se presente, levava os idosos, sendo o transporte dos jovens a carroceria de caminhão conseguido de parente ou amigo. Desvendar a Serra do Japi sempre foi atração, mas poucos a adentravam, exceto caçadores. Atualmente estes eventos são diferentes.

Ainda sem faculdade, a cidade tinha poucos jovens universitários e predominavam os ginasiais e colegiais. Dentre os locais preferidos, as fazendas nas fraldas da Serra, por suas belezas naturais era atração, mas implicava em estradas de terra precárias. A Fazenda Ermida, com sede ampla e bem equipada, tinha uma represa boa para nadar e um caramanchão confortável para abrigo. Ao lado leste, a Fazenda Ribeirão com pequenas quedas d'água junto a uma trilha na mata e a reserva de captação de água que, por gravidade abastecia a cidade, era uma boa curiosidade. Ao lado oeste, a vizinha Fazenda Rio das Pedras possuidora de uma sede autêntica com pomar de árvores frondosas e com sua bela cachoeira era a predileta. O proprietário na época nos propiciou muito piquenique naquele recanto agradável e moldurado por água cristalina. Consta que atualmente não é permitido acesso, nem para visita monitorada. É compreensível a necessidade de cuidados frente a maus usos, inclusive de descuidados que se acidentam.

Entretanto, vendo por outro prisma, cabe relembrar o pensamento do amigo e notável agrônomo, quando de volta de seu estágio na França, que o atual dono de terra não o é só, mais importante é o guardião temporário do solo que ocupa. Não há como discordar de seu ponto de vista, se considerado a brevidade do uso atual por centenário que seja, diante à perenidade do local como parte do território que o envolve. Frente a este aspecto não parece justo negar por vidas inteiras, ao apreciador da beleza natural, por estar esta retida, mas que com regras poderia ser vista. inda ao lado oeste, está a Fazenda Cachoeira com um curso d'água equivalente ao anterior e sua queda d'água muito bonita. O local está com informações e fotos na internet e parece não negar a ninguém o prazer de conhecê-la. Sua visitação parece bem controlada, portanto, sem perda da qualidade. Saindo da encosta norte da Serra, há roteiro que alcança a Cachoeira da Morangaba talvez a mais marcante e mais visitada, A Fazenda Montanhas do Japi com vales de rara beleza, e saindo de Jundiaí merecem visitação a Fazenda Guaxinduva, o Camping Cascata em Cabreúva, e outras. Esta matéria não tem a finalidade de relatar todas as atrações da Serra do Japi, que não se restringem às belezas hídricas. Entretanto, em Aglomerado Urbano com boas atrações rurais dignas de interesse, e que conta com farta gastronomia em seu território, merece um mapa ilustrativo abrangendo os locais de visitação. Isto seria uma hábil contribuição ao turismo regional, principalmente agora que os programas longínquos ainda estão afetados.

Antonio F. Panizza
é arquiteto e urbanista


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