Opinião

As profissões do futuro estão chegando

É preciso que as legislações sejam atualizadas para acolher essa mudança


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CLUBE FLORESTA DIRCEU CARDOSO
Crédito: divulgação

Investigador ou cientista de dados, gerente de frota de veículos autônomos (sem motorista), alfaiate digital (que tira medida de roupas pela internet em lojas), operador de drone, analista de computação quântica, construtor de realidade aumentada, oficial de diversidade e mais uma centena de nomes curiosos e até esquisitos são as profissões do futuro, segundo estudo da multinacional norteamericana de tecnologia Cognizant.

Para nós, que somos do tempo em que o curso de datilografia era importante - com direito a formatura festiva -, é admirável e assustador mundo novo. Máquina de escrever tornou-se peça de museu e os primeiros computadores também. Hoje vivemos a era em que os aparelhos tecnológicos "conversam" entre si e executam com mais regularidade e desempenho as funções antes executadas manualmente pelo humano. Nas últimas duas décadas presenciamos o grande salto onde a tecnologia colocou numa mesma linha a TV, o rádio, o telefone, o computador e, por fim, os aparelhos eletro-eletrônicos industriais e domésticos. Hoje muitos deles são acionados pelo smartphone, transformado em controle remoto universal e cada dia mais abrangente.

Com tudo isso disponível, tornou-se mais eficiente o trabalho em home office - que a emergência da covid-19 tornou obrigatório - e uma série de outras atividades. Mas isso é só o começo. As indústrias já viveram a robotização e não param de evoluir. Obras artesanais tornam-se cada dia mais raras, sendo exclusivas e caríssimas. Em compensação, o mesmo trabalho executado por máquina, em escala, tende a ganhar preços módicos. É, também, uma forma de colocar o desenvolvimento a serviço de um maior número de países, localidades e indivíduos. É uma onda mundial que não tem volta. O tempo da vida no rancho de criação de gado e dos trabalhos artesanais na periferia das cidades já ficou na História. Está presente apenas no cinema e na literatura.

A nova realidade é presente. É preciso que as legislações sejam atualizadas para acolher essa formidável mudança. Não podemos, no Brasil, continuar com a legislação trabalhista octogenária da Era Vargas. As primeiras mudanças já aconteceram ainda no governo Temer, mas carecemos de mais atualizações que sirvam tanto aos interesses de patrões quanto de empregados. Aquele Estado paternalista e controlador de sindicatos - que se perderam na atividade político-ideológica em vez de atentar para as mudanças em curso - não têm mais razão de existir. Os sindicatos, se quiserem sobreviver, têm de focar exclusivamente no associado e prestar-lhe serviços que compensem o valor da mensalidade paga. Do contrário, não sobreviverão ao novo tempo. A roda do progresso costuma atropelar os que não a assimilam... .

Dirceu Cardoso Gonçalves
é dirigente da Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo


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