Opinião

Uma boa notícia para o Brasil

Nosso país é um dos líderes mundiais no uso de fontes renováveis


Divulgação
Miguel Haddad
Crédito: Divulgação

Até o início da década de 1930, a Arábia Saudita, situada numa região carente de recursos naturais, era um país sem muitas perspectivas. Com a descoberta do petróleo naquela década, o país tornou-se um dos mais ricos e poderosos do mudo.

O que transformou aquela lama negra que não tinha valor algum a uma fonte de riqueza foi a mudança da chamada matriz energética mundial, alimentada basicamente pelo petróleo.

Estamos assistindo agora a uma nova mudança dessa matriz, responsável maior pela emissão de gases do efeito estufa, com a substituição do combustível fóssil por fontes de energia limpas, renováveis, que utilizam a água, o sol e o vento. Essa transformação é o resultado de uma mudança ainda maior, da substituição de uma economia baseada na exploração de recursos naturais, predadora da natureza, por uma economia que depende da natureza - a chamada Green Economy, a Economia Verde - fazendo com que a sua preservação, e não a sua destruição, crie valor.  

A Europa, capitaneada pela Alemanha, os Estados Unidos, em razão de leis estaduais de preservação em praticamente metade dos seus estados, e a China, que colocou como meta nacional em sua constituição alcançar uma economia de zero emissão de carbono, lideram essa mudança.

Como o Brasil até recentemente não tinha petróleo, a saída foi construir hidrelétricas. Por essa razão, nosso País é hoje um dos líderes mundiais no uso de fontes renováveis de energia. Aqui, 83% da matriz elétrica vêm de fontes renováveis, liderada pela hidrelétrica (63,8%), com crescimento acelerado das demais. Em 2019, o uso de energia solar em nosso País cresceu 212%.

Com a implantação do mercado de carbono, resultado dessa nova economia, que poderá render bilhões para países que consigam avançar em suas metas de redução da poluição, o Brasil, que além dessa matriz energética tem as maiores florestas do mundo, é candidato a sair ganhando.  

Em um certo sentido o Brasil assemelha-se à Arábia Saudita, que tinha debaixo de seus pés uma riqueza incomensurável sem se dar conta disso. Tomando o caminho certo, de preservar a natureza, temos uma chance real de ver o futuro de prosperidade, tantas vezes adiado, finalmente ter a sua vez.

Miguel Haddad
é ex-deputado federal

 


Notícias relevantes: