Opinião

Como ajudar os outros?

Isso sim é ajudar: dar paz interior é amar de verdade


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MONJA KELSANG CHIME ARTICULISTA COLUNISTA
Crédito: divulgação

Estamos sempre querendo ajudar os outros, mesmo que isso seja para o nosso próprio benefício. Sim, temos muitos interesses e, às vezes, precisamos acreditar que somos importantes por ajudar os outros. Pensamos que, sem nossa ajuda, eles não conseguem resolver seus problemas.

Mas isso não é verdade. Queremos ajudar, mas de acordo com o nosso julgamento. E, por isso, entramos em conflito com os outros, pensamos que eles não querem ser ajudados. Na realidade, não há outro ponto de vista e, de acordo com isso, nossa ajuda não é efetiva.

Como podemos ajudar de verdade?

De acordo com o Budismo Kadampa, só poderemos ajudar os outros depois de ajudarmos a nós mesmos. Para isso, precisamos concordar que temos dificuldades de resolver nossos próprios problemas. Afinal, como um cego pode guiar outro cego?

Podemos algumas vezes ajudar os outros, proporcionando-lhes dinheiro ou condições materiais, arrumando moradia para eles, lavando suas roupas... Mas isso não é resolver os problemas e, em geral, reclamamos ao fazer esses trabalhos.

O melhor que podemos esperar é ajudá-los a encontrar a paz interior. E, para isso, precisamos encontrar, antes de tudo, a nossa paz mental.

Por meio de organizar a sociedade de maneira mais humana e justa, podemos, com absoluta certeza, ajudar a melhorar a vida das pessoas em alguns aspectos, mas independente do que façamos virão, inevitavelmente, alguns efeitos indesejáveis.

Podemos dar algum conforto e facilidade, mas não podemos dar felicidade. O motivo é que a verdadeira causa da felicidade é a paz interior somente poderá ser encontrada dentro da mente de cada um e não em condições exteriores.

Sem paz interior, a exterior é impossível. Todos nós desejamos a tal paz mundial, mas ela nunca será alcançada a não ser que encontremos primeiro nossa própria paz mental.

A verdadeira paz não pode ser encontrada na base de armas ou violência. Ela não pode ser imposta de fora pra dentro.

Portanto, ajudamos os outros a partir de nós mesmos, quando treinamos e mantemos nossa mente calma. Estamos ajudando os outros quando não sentimos raiva, ou quando levamos paz a todos os lugares onde vamos, sem interferir no ponto de vista das outras pessoas. Assim, mudaremos a perspectiva com nossa atitude de aceitação paciente.

Algumas pessoas podem pensar que aqueles que se empenham no treino da mente estão sendo egoístas, pois parecem estar concentrados unicamente em sua própria paz interior, mas essa é a melhor maneira de ajudar. Esse é o melhor caminho. Com paz mental e calma podemos conduzir os outros a ter o mesmo e assim podemos encorajá-los para que se empenhem mais nas práticas espirituais.

Só depois de termos superado nossas próprias aflições mentais, como raiva, apego, ignorância, inveja etc. e conseguir desenvolver pensamentos refinados como amor, compaixão, concentração e sabedoria, é que nossa habilidade em ajudar os outros será muito maior.

Desse modo, poderemos ajudar os outros para que resolvam seus problemas não apenas por poucos dias ou anos, mas para sempre.

Isso sim é ajudar: dar paz interior é amar de verdade. E a menos que tenhamos isso dentro de nós não conseguiremos beneficiar os outros.

Essa paz adquirida não pode ser destruída nem com a morte. Se estivermos em paz o tempo todo, poderemos ser felizes o tempo todo.

Kelsang Gen Chime é monja budista


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