Opinião

A passagem da vida

Rezemos sempre pelos que nos precederam nesta vida humana


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COLUNISTAS GUARACI ALVARENGA
Crédito: divulgação

Finados é dia de saudade, de esperança e muita reflexão. O ensinamento da ressureição marca muito a razão da saudade a todos aqueles que já nos deixaram, na verdade, perfumam o começo de uma nova vida, agora eterna.

Estes entes queridos não estão mortos, estão vivos, mais do que nós e pedem para não serem esquecidos. Temos que compreender que nada se acabou. Nossos olhos não podem ser ofuscados pela dúvida e devem brilhar na santa fé que um dia nos juntaremos a eles.

Os pagãos deram nome de necrópole, cidade dos mortos, onde enterravam os seus predecessores, enquanto que os cristãos, na esperança de dias melhores, o chamaram de cemitério, lugar dos que dormem. Quantas boas lições nos dá esta passagem da vida humana.

Lembro-me de um conto de André Kondo, em seu livro "Amor sem Fronteiras - Uma viagem pelo Coração do Mundo". Depois de visitar muitos templos religiosos, o autor visitou um templo onde "deparou-se com o sofrimentos e a imperfeição da vida. Vários enfermos buscavam refúgio no templo, entre eles uma criança. Seu rosto encurvado para um lado exibia uma deformidade. Suas pernas, finas como duas varas de bambu e tortas como dois galhos secos, não se moviam. Ela estava presa a uma velha cadeira de rodas..."

Saudou a criança que se esforçou num "meio sorriso", não que não quisesse sorrir, mas por que a parte inferior de seu rosto estava paralisada. Diz o autor que aquele "meio sorriso" foi muito mais radiante do que o sorriso inteiro de muitas pessoas que cruzaram o seu caminho. Mas ficou desconcertado quando dirigiu a palavra para a mãe da criança: "A senhora veio rezar para curar sua filha"? - A mãe respondeu: Curá-la? de quê? Só assim o autor compreendeu que a mãe estava orgulhosa, porque sabia que sua filha tinha uma vida de menina especial.

Esta cruel pandemia nos roubou vidas queridas de familiares, parentes, amigos, mutilando os corações de gente de todo o mundo. Houve sim uma intensa corrente piedosa de silenciosas preces, em busca do lenitivo divino a todos os doentes.

Diante desta aflitiva tragédia, de dor incontida, do nosso modo de pensar, da nossa maneira de ser, algo íntimo despertou na nossa cegueira espiritual, temos que trilhar o caminho de luz, que nos foi deixado.

Que a lembrança dos que foram sejam lembradas somente pelo amor que nos inspirou, ensinou e dedicou. Finados é uma boa oportunidade de revermos o além da vida, questionar ideologias e mudar atitudes.

Como no dizer de Chico Xavier: "Na vida não vale tanto o que temos, nem tanto importa o que somos. Vale o que realizamos com aquilo que possuímos e, acima de tudo, importa o que fazemos de nós".

Rezemos sempre pelos que nos precederam nesta vida humana. Não os deixem no esquecimento. Por certo, hão de nos proteger e, principalmente, interceder na cura de nossas falhas, nesta nossa breve passagem da vida.

GUARACI ALVARENGA é advogado


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