Opinião

ESPAÇO DO CIDADÃO


EaD ou Aula Remota: ensino em tempos de pandemia

Vivenciar o ensino e aprendizagem por meio de recursos tecnológicos sem ter os equipamentos necessários, sem preparo ou instrução clara sobre a operacionalidade do processo e, sem reflexão pedagógica sobre a nova realidade, repercutiu de forma dramática.

Em defesa à EaD, cabe lembrar que tradicionalmente ela vem sendo direcionada para o público adulto e, em especial, para a profissionalização tardia ou em locais com pouca oferta presencial, o que democratiza o acesso à formação num país tão extenso e regionalmente diverso como o Brasil. Ainda dessa perspectiva, destaca-se que a EaD não tem sido direcionada para crianças e adolescentes e assim deve continuar. O papel social, político e cultural desempenhado pela escola na formação e desenvolvimento físico, emocional, intelectual dos estudantes da educação básica é fundamental e continua validado pela sociedade. O debate sobre uma educação básica na modalidade EaD não está posto e, caso venha a acontecer, demandará uma ampla discussão que deverá envolver todos os sujeitos da educação.

Em segundo lugar, é preciso reconhecer que a EaD vem ganhando força e espaço no Brasil nas últimas décadas e com isso há um aprofundamento das discussões sobre o formato pedagógico dos cursos à distância. Aspectos como a necessidade de interação entre professor e aluno, em tempo real; a importância de atividades teórico-práticas; aulas ao vivo, com práticas e experiências; atividades avaliativas diversificadas possibilitando a expressão escrita, oral e estimulando as diversas habilidades intelectuais do estudante, estão presentes nos projetos pedagógicos de curso e nos instrumentos de avaliação dos cursos superiores, do ministério da educação.

Por isso, não é correto, nem coerente confundir as aulas remotas oferecidas em tempos de pandemia com um curso de EaD bem estruturado e consolidado em função do tempo que é ofertado e da avaliação obtida pelo ministério da educação. Defende-se aqui a ideia de que educadores e gestores educacionais ampliem a discussão sobre o tema demonstrando a fragilidade dos argumentos que adjetivam negativamente a EaD em função do que está ocorrendo com a escola básica nesse momento histórico. Desse modo, espera-se, os argumentos a respeito da EaD amadureçam, fortaleçam-se e propiciem um debate sério, livre de estereótipos e preconceitos sobre essa modalidade de ensino.

Maria Eneida Fantin


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