Opinião

Falíveis, frágeis e fracos

A humanidade enfrenta um clima desolador, mais intenso no Brasil


Será que esta poderia ser uma definição sintética do ser humano? Poder-se-ia substituir o "falsos" por "finitos", pois nem todos os racionais praticam a falsidade. Mas uma boa parte deles não consegue deixar de sê-lo. Ou se mostraria adequado substituir o "falsos" por "francos"? Quem é capaz de praticar a franqueza de forma permanente?

A humanidade enfrenta um clima desolador. Mais intenso em nações com histórico de insensatez, como ocorre com o Brasil. Capaz de dilapidar um patrimônio natural perfeitamente traduzível em ganhos materiais e em qualidade de vida. Mas exterminado pela cupidez ignorante aliada à crueldade.

O tesouro gratuitamente ofertado pelo ambiente seria hábil a trazer prosperidade para a legião dos excluídos. Mas, antes mesmo de ser inteiramente conhecido, é entregue à sanha dendroclasta dos que eliminam florestas e depois as incendeiam.

Surgem lampejos de lucidez logo silenciados pela turba irada. Polarizada em seus ódios, pronta a matar o adversário. Foram esquecidas a polidez, a candura, a empatia, a compaixão, a capacidade de compreender o outro. O "catecismo doméstico" das boas maneiras foi sumariamente rasgado. Quem teria coragem hoje de dizer aos seus filhos menores, que repartir o saudável convívio é praticar a clemência da perfeição multiplicada? Quem recomendaria às crianças uma postura respeitosa e discreta, aconselhando-as a não falar, pois "basta viver entre os maus a tua vida de bondade. Mas, se te baldoarem de rendimento, ensina sereno a tua crença e, se te maltratarem de suplício, descansa feliz no teu martírio. O momento é dos grandes exemplos a verdade é obra dos sacrificados. Os perseguidos salvarão a terra". É um texto de Fernando Magalhães, em sua "Cartilha da Probidade", publicada em 1936.

Evidente que os vários "ismos" que advieram no século XX e se intensificaram neste século XXI, como o individualismo, o materialismo, o consumismo, o egoísmo e o narcisismo, fizeram desaparecer tais manuais.

As novas gerações acreditariam no asserto "a solução de todas as dificuldades está no distribuir. Distribuir em vez de desfrutar. A repartição fraterna e justa é a única força dos poderosos. Cada um irá em busca da sua tarefa levando aos outros o seu penhor de conciliação: não haverá atropelos, porque não haverá desafios, não haverá lágrimas, porque não haverá abandonos". Na sua opinião, a humanidade progrediu ou regrediu?

JOSÉ RENATO NALINI é reitor da Uniregistral, docente da pós-graduação da Uninove e presidente da Academia Paulista de Letras - 2019-2020


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