Opinião

O que aconteceu desta vez?

Artistas brasileiros consagrados são disputados com números astronômicos


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EDUARDO PEREIRA ARQUITETO
Crédito: divulgação

Com a alta do dólar provocada pelas atrapalhadas de Guedes e do governo no qual faz parte, com muito tempo de desgaste na moeda e nos investimentos dos brasileiros - especialmente os de classe média e alta - algumas coisas podem refletir no mercado de arte no Brasil.

Tivemos no Brasil leilões com participações de um público cada vez maior e com novos investidores, que encontram na arte e na antiguidade segurança para seus investimentos. Ouro e prata sempre tiveram liquidez e lastro, o que provocou um espetacular impulso nos itens de antiguidades em prata.

Artistas brasileiros consagrados são disputados com números astronômicos como o estudo de grafite sobre papel para a obra "Operários" de Tarsila do Amaral, que o preço de venda ultrapassou R$ 1 milhão. Esse desenho de 38 x 52cm, datado 1933, foi apregoado no leilão de James Lisboa em 21 de setembro, que liquidou a coleção de duas mil obras de Edmar Cid Ferreira em dez leilões. Segundo a tradicional casa de leilões, foi a experiência mais importante de sua história.

Se aqui um desenho de Tarsila foi vendido por mais de R$ 1 milhão, em Nova York a obra "Idílio", de 1929, poderá ser vendida por R$ 40 milhões na TEFAF, Feira de Arte de Nova York.

A pandemia que o mundo vive alimentou esses leilões on-line que pegaram e não mudam mais tão rapidamente. Essa experiência, que já implantada muito antes dessa quarentena, agora vira um sucesso. Os leilões de grandes obras de arte são exibidos pelo canal de televisão Arte 1, do grupo Bandeirantes e ao vivo. Lances são feitos até pelo celular e antes do início do leilão também.

Com um cenário inovador, a Sotheby's, uma casa de leilões que atua há dois séculos no mercado de arte, neste período de salas vazias, teve um alcance mundial: dezenas de telefones recebem em diversas línguas os lances das obras em pregão. Assim uma obra de Claude Monet, por exemplo, pode ser arrematada na China e, em seguida, no próximo lote, uma outra obra pode ser arrematada em AbuDhabi.

No dia 28 passado, o leiloeiro Oliver Baker de Nova York apurou a impressionante quantia de 284 milhões de dólares em vendas de obras de arte. No catálogo, havia obras como de Giacometti ($26 milhões), Van Gogh "Fleursdansunverre" (mais de $16 milhões) e De Chirico "AriadnesAfternoom" ($15 milhões). São Paulo e Rio de Janeiro se colocam neste caminho, espalhando arte para qualquer pessoa acessar on-line, mesmo que seja só para conhecer.

Eduardo Carlos Pereira
é arquiteto e urbanista


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