Opinião

Experiência é fundamental

O distanciamento da realidade impede avaliação e implementação de políticas


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ARTICULISTA EGINALDO ONÓRIO
Crédito: .

Quem acompanha minhas reflexões sabe o quanto e há quanto tempo provoco a prática da "empatia".

Hoje conversaremos um pouco sobre "experiência": Em 2007, quebrei uma das mãos e, a partir do tratamento, via pessoas com os membros superiores enfaixados. Passada essa fase não mais os vi. Assim, notei que enquanto distantes da realidade, situações de relevância passam desapercebidas.

Outro exemplo importante ocorrido comigo foi a experiência em ajudar uma cadeirante, que acabara de desembarcar de um ônibus, a transpor um pequeno trecho da rua Senador Fonseca até a sede central do Clube Jundiaiense que, para mim, foi muito marcante, pois por muitas vezes toquei no assunto sem nunca chegar perto de uma cadeira de rodas. A partir disso, nobres leitores/as, posso assegurar que não é nada fácil a vida da pessoa cadeirante bem assim daqueles com quem convivem e, a meu olhar, o formato desse equipamento é horrível, vez que não oferece segurança ao cadeirante e àquele que o conduz, eis que a empunhadura em nada facilita a locomoção!

Não bastasse o formato da cadeira, as vias públicas (ruas e calçadas) aumentam a dificuldade diante de tantos e incontornáveis obstáculos. Não entendo as razões pelas quais não se desenvolvem equipamentos mais seguros aos usuários! Tomo como exemplo - no quesito "empunhadura" - os carrinhos de supermercado com aquela barra pela qual é conduzido independente do peso. Fica a dica.

Independentemente disso e se houvesse mais respeito e maior proximidade a essa realidade, certamente viveríamos muito melhor!

É muito certo e fundamental a existência das diferenças e que aprendamos a experimentar e conviver com elas.

E necessária a presença do doce e do amargo; do alto e do baixo; do quente e do frio; do claro e do escuro; do gordo e do magro; do rico e do pobre; e assim por diante. O que falta e, em grande quantidade, é saber conviver com isso, permitindo a ocorrência de abusos incontornáveis e não oferta de melhores condições de vida.

O distanciamento da realidade impede a avaliação, produção, implementação e fiscalização das políticas públicas existentes e a criar e, se não bastasse, a distorção da verdade aliada a imposição de política de desenvolvimento contrária, leva às ofensas e descaso de toda ordem.

Aproveitando o tema, pergunto: "Gostaria de viver tal qual um cadeirante"? Nessa mesma linha e para não perder o foco, renovo as indagações aos que insistem alegar que não há desigualdade: "Gostaria de viver como os negros vivem no Brasil? Ser perseguido nos supermercados? Ser excluído em razão da cor da pele?

Revoltam as ofensas raciais e, desde já, lamento aos que pensam de modo contrário perpetuando os atos discriminatórios quando, na real, o que se busca é o combate e a redução da desigualdade. Zumbi vive.

Comendador doutor EGINALDO HONÓRIO é advogado


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