Opinião

O candidato e o padre

Não acreditem muito em promessas eleitorais


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COLUNISTAS GUARACI ALVARENGA
Crédito: divulgação

Existe uma pequena história política, neste ano eleitoral, que deve ser lembrada. Um jovem candidato era visto como uma grande esperança. Inteligente, de boa expressão verbal, para tudo tinha a resposta certa. Alertava a maioria de seus eleitores, para não acreditarem nas vãs promessas dos adversários. Pretendia em suas arengas atingir muito mais o coração do que o cérebro das pessoas. Pregava a volta dos bons tempos de outrora, como se o passado fosse melhor que os tempos atuais. Dizia que existiam recursos para resolver todos os problemas e que os mesmos eram, na verdade, mal aplicados. Sua administração teria abundância de favores aos contribuintes e, o melhor, sem injustiças. Não poupava em criticar os seus adversários. Seu discurso político era, sem dúvida, o do "povo eleito". Não obstante, faltava-lhe um pequeno detalhe. Não muito afeito as coisas de Deus, foi alertado pelos assessores a conveniência de se aproximar com a Igreja. Era essencial fortalecer os laços com as comunidades cristãs. Pesquisou-se então o melhor contato de apoio. Chegou-se a conclusão que um conhecido padre, em tradicional bairro da cidade, pároco carismático, tinha forte influência em seus fiéis. Foi logo ao seu encontro. O santo padre era amado por todos, não tinha outra vocação senão a religiosa, realmente sentia-se casado com a sua santa igreja. Aconteceu o diálogo. O candidato pediu sua bênção. Em troca, gostaria de agradecer a bênção com um presente. O padre não vacilou. Pessoalmente nada desejava. Gostaria, entretanto, que o jovem candidato, se assim desejasse, ofertasse o sino para a nova Igreja. A resposta veio de imediato. Amanhã mesmo, sua iminência, terá o sino em sua santa igreja. Embora desconfiado, o pároco então respondeu: Não se apresse tanto, até o dia da eleição, você poderá cumprir sua promessa, temos tempo. Enquanto isso, falarei com os fiéis, em minhas homilias, sobre tão valiosa boa nova. O tempo eleitoral transcorreu rápido. O dia da eleição se aproximava. E o jovem candidato não cumpria com a promessa de entregar o sino. O padre já desconfiava que a promessa fora esquecida, tinha a convicção que não seria cumprida. Passou o tempo, nada aconteceu. No domingo, antes da eleição, pela manhã, com a igreja lotada de fiéis, fez uma bela pregação sobre a consciência do voto certo e foi incisivo: Não acreditem muito em promessas eleitorais. Citou o exemplo vivido: Um jovem candidato prometeu um sino para a Igreja, nem o badalo mandou. A igreja ficou sem o sino e o candidato perdeu a eleição.

Guaraci Alvarenga é advogado


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