Opinião

ESPAÇO DO CIDADÃO


CONSÓRCIO DE LANÇA-PERFUME

Nas décadas de 1950 e 60, era muito comum em Jundiaí e em outras cidades ao longo das ferrovias o aparecimento de pessoas nas estações ferroviárias com um produto que há mais de cinquenta anos está proibido no Brasil. Quem proibiu a venda de lança-perfume foi o presidente Castelo Branco, após a primeira tentativa de proibição frustrada na administração Jânio Quadros. Quando este renunciou, o governo João Goulart resolveu arquivar o decreto presidencial. Deste modo, a venda do lança perfume voltou.

Existiam dois vasilhames de metal. O menor custava dez cruzeiros e o maior vinte. Os vendedores profissionais faziam grandes compras para depois revender os produtos na boca do Carnaval. Alguns vendedores vendiam também serpentinas e confetes. Com a facilidade dos consórcios, o povo se divertia mais à vontade numa época e que o salário mínimo girava em torno de 85 dólares. Aliás, é bom que se lembre. Quando tomou posse em 2003, o presidente Lula tomou providências para que o salário mínimo atingisse a média mundial de 300 dólares. Agora com a desvalorização do real, nosso salário mínimo está hoje oscilando em torno de 220 dólares.

Voltando ao caso dos consórcios de lança-perfume, os salões carnavalescos tinham um cheiro inebriante. Ninguém sentia cheiro de suor. Os salões eram mais alegres. O que motivou o governo Castelo Branco a proibir a fabricação do lança-perfume foi o seu uso indevido. Muitos foliões despejavam na boca o lança- perfume. Ficavam drogados. Muitos passavam mal e surgiram relatórios médicos condenando seu uso. Ora, eles eram mais inofensivos do que as drogas de nossos dias.

Com a proibição no Brasil, uma famosa indústria francesa passou a fabricá-lo na Argentina. Deste modo, uns três meses antes do Carnaval, muitas centenas de caminhões passavam pelas nossas fronteiras, naquele tempo também despoliciadas e faziam entregas diretas em nosso território.

Os trens trafegavam no Carnaval com o perfume característico inventado pela empresa francesa. E os vendedores de consórcio ressurgiram em pouco tempo por toda parte. Até que houve ações enérgicas do Ministério da Saúde e o lança-perfume foi banido do nosso Carnaval. Porém, há relatos de que ele pode ser encontrado nas cidades fronteiriças do Brasil com Paraguai, Bolívia e Argentina. Mas agora o fabricante é chinês. Será?

Geraldo Gattolini


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