Opinião

Little Trump

O Pequeno Trump já não mais estará representando seu estilo parlapatão


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ARTICULISTA GLAUCO GUMETATO RAMOS ADVOGADO
Crédito: divulgação

Até o momento em que eu estava prestes a encerrar este texto, cerca das 14h de ontem, Donald Trump ainda não havia reconhecido sua derrota à reeleição para a Casa Branca.

Sua retórica negacionista combina elementos narrativos de "pós-verdade", também chamados de "fake news", com inverdades inescondíveis, também chamadas de mentira. Basta lembrar sua relação com a covid-19. Não usava máscara com frequência. Não respeitava o distanciamento social conforme recomendado. Defendia o uso da cloroquina sem comprovação científica de eficácia. Foi copiado por mais dois ou três mandatários de outros países em seu negacionismo. Orienta-se por um tipo de estratégia narrativa que revela a pequenez daqueles que pretendem fazer da política profissional o palco de sua atuação.

O palco de Trump é, e sempre foi, o dos negócios, o da comunicação midiática. Jogar para a plateia sempre foi sua especialidade, um gênio do assunto. Notabilizou-se com isso. Impulsionado pelas liberdades econômicas que a fé protestante jamais cerceou na terra do Tio Sam, soube potencializar a riqueza iniciada por seu avô paterno, um imigrante alemão. Mas das coisas próprias da política profissional, o Pequeno Trump pouco sabe ou quis aprender.

Compare-o, por exemplo, com outra figura da comunicação artística e midiática que foi eleito e reeleito presidente dos EUA com maioria esmagadora. Ícone do Partido Republicano e da direita democrática daquele país, Ronald Reagan havia sido governador da Califórnia por dois mandatos sequenciais. Tinha experiência no palco das coisas políticas, muito diferente do atual presidente.

Ao se recusar aceitar a vitória de John Biden, acusando-a de ter ocorrido sob fraude, o Pequeno Trump igualou-se a um adolescente birrento. Sem qualquer prova ou indício da violação das regras do processo eleitoral, o ainda residente da Casa Branca revelou a sua desgrandeza como político, esquecendo-se que um dia foi eleito presidente como produto do mesmo sistema eleitoral que agora se recusa a respeitar.

Além de mostrar-se egocentricamente autoritário, iguala-se a pequenos e infaustos ditadores que se recusam a aceitar o resultado das eleições em seus países, obviamente quando as perdem ou estão próximos a perdê-las. Um contrassenso à dinâmica política da democracia na América que tanto impressionou Alexis de Tocqueville.

Especialistas na cotidianidade norte-americana afirmam que o "trumpismo" seguirá como fenômeno na realidade naquele país, apesar da derrota nas urnas. Mas enquanto líder político eleito, em breve o Pequeno Trump já não mais estará representando seu estilo parlapatão para obter palmas acríticas da torcida.

GLAUCO GUMERATO RAMOS
é advogado, professor da Fadipa, presidente para o Brasil do IPDP e diretor de Relações Internacionais da ABDPro


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