Opinião

Memorial de Dom Gabriel

Sua fala, na abertura, era como a do coro dos anjos aos pastores


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MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE (NOVA)
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Em breve, teremos a inauguração do Memorial de Dom Gabriel Paulino Bueno Couto junto à cripta da Catedral NSD.

Feliz iniciativa de nosso querido bispo diocesano, dom Vicente Costa, em trazer, para o centro da cidade, os pertences com a história de dom Gabriel. A cripta com anúncio da Eternidade e o Memorial como sinal daquilo que é fundamento na trajetória humana.

Feliz empenho do querido padre Márcio Felipe, pároco da Catedral, para que aconteça. Segundo o padre Márcio, é possível e é preciso reconhecer que dom Gabriel jamais deixou que a chama do amor a Deus se apagasse em sua vida e nos ofereceu a consciência de que é possível ser santo sem deixar de ser humano. Palavras dele: "Que seu exemplo e seu testemunho possam nos ensinar a buscar mais a santidade que vem de Deus".

Era bom ouvi-lo e estar com ele. Sereno, embora com fragilidades físicas acentuadas, em noites frias e de vento, atravessava a cidade, nas procissões, como se o tempo estivesse estático, pois o coração dele se encontrava em sintonia com o Céu. Tenho inúmeras lembranças de sua presença desde 1969, quando participei do primeiro encontro de jovens. A palestra sobre Sacramentos foi dele. Com sua fala, selou, apesar de meus tropeços, minha vida na Igreja.

Dentre as lembranças que tenho de dom Gabriel, destaco a de seu amor por presépios. Em 1979, pelo Posto Cultural do Mobral, assumimos, a pedido do inesquecível Sebastião Maia, a exposição municipal de presépios. Dom Gabriel fez questão de inaugurá-la, bem como as de 1980 e 1981. Observava a delicadeza e a criatividade de cada presépio e a mensagem que traziam. Sua fala, na abertura, era como a do coro dos anjos aos pastores: "Não temais, eis que vos anuncio uma boa nova que será alegria para todo o povo: hoje vos nasceu na cidade de Davi um Salvador, que é o Cristo Senhor" (cf. Lucas 2, 10.11).

Naquele período, visitei o Museu dos Presépios no Ibirapuera em São Paulo e existia um feito por ele, em argila, quando em tratamento de tuberculose. Destacava-se, no peito da imagem do Jesus, uma espécie de manta de flanela. Segundo o guia, ele protegera o Menino, a partir do incômodo que sentia nos pulmões.

Foi bem assim a vida dele: aquecer os corações com a chama da fé, para que nunca lhes faltasse a face de Cristo.

O memorial, creio, será gruta de Belém nas entranhas da Catedral.

Maria Cristina Castilho de Andrade é professora e cronista


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