Opinião

Máximo Barro

O teatro é meu, é seu, é nosso! Que venha a próxima temporada!


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Wagner Nacarato
Crédito: divulgação

Quando criança, pude assistir aos "Os Três porquinhos", no Teatro Polytheama. Era início da década de 70. A beleza e a grandeza arquitetônica do interior do prédio, as cortinas em todos os camarotes e um ator pulando no palco, chamaram-me a atenção. O pulo do ator não era intencional. Ele pulava um buraco no meio do palco, para se proteger. O buraco já era o prenúncio do fechamento das atividades do teatro, que durou quase trinta anos. Ainda criança, livre pelas ruas de Jundiaí, agora com o teatro fechado, perguntava o porquê de suas ruínas, ratos e pombos.

Jovem, amante da linguagem teatral e início de minhas atividades artísticas na cidade, festejamos a aquisição do prédio centenário do Polytheama pela Prefeitura Municipal. Fui até convidado para celebrar o início das obras em 1996. Perguntava-me, na ocasião, o porquê do convite, já que foram poucos os convidados. Passados alguns meses, recebemos o convite do executivo para coordenar a produção de reabertura do local. Cuidamos da escolha e da produção dos espetáculos que compuseram o cronograma de reabertura do Polytheama. Trabalhamos quase nove meses, gratuitamente.

Após dez anos de sua reabertura, recebemos o convite para assumir a direção do teatro. Pudemos, naquela ocasião, criar projetos que, até hoje, foram incorporados à vida do teatro, tais como "A Viagem Fantástica" (tour guiado pelas dependências do teatro), os Corpos Artísticos (OMJ - Orquestra Municipal de Jundiaí, Corpo Municipal de Teatro, Corpo Jovem de Dança) e a restruturação do projeto intitulado Vitrine da Dança.

Uma ideia não se constrói sozinha. Fizemos com a aprovação das autoridades superiores e com o incentivo dos artistas.

Em 2011, o teatro comemorou 100 anos de existência. Naquela ocasião, a Secretaria de Cultura, sabiamente, lançou o livro "Teatro Polytheama de Jundiaí", com a organização de Victor Nosek. E foi Victor quem me trouxe a notícia do falecimento de Máximo Barro, no final do mês passado. Quem foi Máximo? Mestre e professor, um dos fundadores do Curso de Cinema da FAAP. Máximo uma referência no ensino de cinema no Brasil. Máximo participou do livro do centenário do Polytheama de forma brilhante. Apresentou a história dos filmes exibidos no então Cine Teatro Polytheama, tendo como referência os cartazes da época. E fez todo este trabalho com entusiasmo e capricho incalculável.

Hoje, o teatro está, novamente, incorporado à vida da cidade e da região. Inúmeros são os espetáculos apresentados, levando, sempre um grande público. Fomos considerados, em 2019, como o segundo teatro que mais vende ingressos no país, pela tickteria que presta serviços ao teatro.

Infelizmente, a pandemia nos obrigou a fechar as portas do teatro, novamente. Mas os nossos 50 artistas das Cias. Artísticas do Polytheama, contratados para a temporada de 2020, brilharam nas redes sociais, com suas produções on-line. Mesmo fechados, aproveitamos a ausência dos artistas e do público, para dar um upgrade necessário. Agora, após, 24 anos, o Teatro Polytheama, ganha seu ar-condicionado, graças ao empenho desta administração. O teatro é meu, é seu, é nosso! Que venha a próxima temporada!

WAGNER NACARATO é coordenador de cultura, professor e diretor de teatro


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