Opinião

ESPAÇO DO CIDADÃO


Dedo de prosa sobre a romaria de Itupeva

Era uma quinta-feira o dia 17 de novembro de 1955, quando os cavaleiros de Itupeva se reuniram no salão da Sociedade Recreativa de Itupeva para eleger uma diretoria a fim de organizar uma Romaria de Itupeva à Pirapora.

Até então a turma do cavalo, quando queria ir ao santuário, acompanhava a Romaria Diocesana de Jundiaí ou a Romaria de Indaiatuba, se organizando em turminhas de amigos. Era uma temeridade, mas iam estrada afora apoiados na valentia e na fé ao Bom Jesus.

Os saudosos Vicente Tartalha, Adolfo Barbi e Benedito Barbosa decidiram convidar os homens das famílias locais para criar a Romaria com uma Diretoria especialmente designada e Elizeu Izzo foi registrando as primeiras providências num livro de atas.

O Dito Barbosa foi eleito presidente, Dorival Raymundo foi o vice, o Adolfo Barbi ficou de tesoureiro, os diretores nomeados entre sitiantes, agricultores, meeiros, gente do comércio e os auxiliares eram os representantes dos grupos de romeiros do lugar.

A primeira romaria foi um sucesso: da bandeira até os culatreiros, os romeiros viajaram em total paz e harmonia. A ótima repercussão entre os romeiros, motivou o registro histórico da relação dos cavaleiros, ciclistas e motociclistas participantes.

Se a Romaria Diocesana de Jundiaí impressionava pela grande adesão de romeiros, a romaria de Itupeva se tornou famosa pela organização, união familiar e pelo clima da amizade entre os romeiros. A chegada dos cavaleiros em Itupeva era uma festa. As calçadas da avenida Brasil com o povo saudando os romeiros que e as bandeiras. Pedestres, ciclistas, motociclistas, cavaleiros e carros em meio aos estalos de rojões e os aplausos dos moradores.

O coreto era ocupado pela Banda Lira Itupevense tocando marchinhas e dobrados, enquanto o padre benzia os romeiros, as autoridades políticas faziam saudações e uma multidão rodeava a Praça da Igreja.

O Jubileu de Safira da romaria de Itupeva ficará marcado pela pandemia. Mas os romeiros sabem que essa não é a primeira dificuldade e com certeza não será a última que se interpõe no caminho dos romeiros de Itupeva.

O entusiasmo, a tradição e a fé são a fonte de energia inesgotável que tem movido os cavaleiros em superar mais esse obstáculo e retomar sua tradição: visitar o Bom Jesus e renovar a fé de modo elegante.

Paulo Marcondes


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