Opinião

O que esperamos dos eleitores

É preciso uma dose maior de pragmatismo e realidade para filtrar as promessas


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SISTEMA PENITENCIARIO FABIO JACYNTHO SORGE
Crédito: divulgação

Na coluna publicada na edição de ontem, tratei sobre o que esperamos dos eleitos. Nesta oportunidade, amplio a discussão para pensarmos sobre o que esperamos dos eleitores?

Há algum tempo, havia uma crítica generalizada sobre o comportamento do eleitor brasileiro, em especial sobre a apatia, faltaria uma real preocupação com a política, haveria um descaso geral.

Esse cenário mudou, a política entrou na agenda de todos, sendo que grande parte da população sabe o nome dos principais políticos, sendo que a fiscalização sobre a coisa pública aumentou muito. E os debates sobre o tema também, há uma nova e boa energia. Esse é o ponto positivo.

Porém, penso que é preciso qualificar o diálogo, já que em razão do maior interesse pela política, tivemos também uma intensa polarização da sociedade e uma contaminação do debate, que deixou de ser ideias ou projetos para passar a ser uma disputa do bem contra o mal. Evidentemente que o bem passou a ser identificado comigo e com aqueles que pensam como eu e o mal com os outros. Contribuíram para esse cenário a disseminação das redes sociais, bem como um debate da "lacração" que pouco contribuiu para se resolver os problemas e busca apenas calar quem pensa de forma diferente.

Há na mentalidade de muitos eleitores a percepção de que o adversário político é a "encarnação do mal" que precisa ser combatido e destruído. Seja porque ele é fascista ou comunista. E isso preciso mudar.

Isso porque, o que se espera do eleitor é um mínimo de civilidade e tolerância para conviver com as diferenças. Quem pensa de uma forma diferente de mim, não está necessariamente errado (já que nenhum de nós possui o monopólio da verdade) e nem é um criminoso perigoso que busca destruir o país.

Além disso, é preciso uma dose maior de pragmatismo e senso de realidade por parte do eleitor, para filtrar as promessas feitas em campanha, já que nenhum governo irá resolver todos os problemas. E mais, nem todas as dificuldades são culpa do atual governante. Saber avaliar as responsabilidades é fundamental, sob pena de atribuir a alguém uma culpa ou um mérito indevido.

Além disso, é preciso pensar o que o candidato ou a candidata fará se eleito for? Como irá tratar a máquina pública? Uma pesquisa do passado daquela pessoa, sempre ajuda, afinal, ninguém costuma fugir muito do que já fez.

Assim, uma reflexão pragmática sobre como seria o governo daquela pessoa, nos mais diversos aspectos é a melhor alternativa para evitar futuras decepções.

Enfim, o que esperamos dos eleitores é uma reflexão realista na escolha dos candidatos, levando em conta projetos e ideias e a devida tolerância para as opiniões e percepções diversas. Se tivermos isso, certamente teremos mudanças positivas em nossa sociedade.

FABIO JACYNTHO SORGE,

defensor público do Estado de São Paulo, Vara do Tribunal do Júri e coordenador da Regional de Jundiaí


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