Opinião

O pária no precipício

o Brasil não atentou para o grau da desgraça. Foram necessários alertas estrangeiros


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HOMENAGEM DOUTOR JOSE RENATO NALINI NO FORUM
Crédito: divulgação

Há quem teime em não enxergar o que está acontecendo com a natureza brasileira. A Amazônia passou a ser "terra de ninguém". Começou com o desmanche da estrutura protetiva. Ibama, Inpe, ICMbio, todos os organismos encarregados de tutela ambiental foram sucateados. Cargos vagos não preenchidos. Substituição daqueles que insistiam em pedir providências urgentes.

Depois, aceno aos grileiros, aos exploradores do garimpo ilegal, aos inimigos dos indígenas: podem avançar, que o sinal do governo - paradoxalmente - é verde para quem quiser acabar com o maior patrimônio brasileiro.

Imerso em crise poliédrica, pois começou ética, depois moral, social, política, econômica e culminou na tragédia sanitária, o Brasil não atentou para o grau intenso da desgraça. Foi necessário que investidores estrangeiros alertassem. Não vão mais investir no Brasil. Compradores também se recusarão a consumir produtos com origem no desmatamento.

O mundo acordou, mas o Brasil não. O presidente do Grupo Suzano afirmou que o Brasil caminha para o precipício ambiental. Integra a Coalizão Brasil-Clima, Florestas e Agricultura. Considera mais do que urgente levar a sério os sinais do aquecimento global. O Brasil já foi considerado potencial ocupante de um promissor futuro ecológico. Jogou por terra o trabalho acumulado por muitos patriotas durante décadas.

À beira do precipício ambiental, o Brasil se tornou um pária do investimento internacional. Quem o afirma é Pérsio Arida, ex-presidente do Banco Central. A preservação do meio ambiente é problema global, não apenas brasileiro. Desatento e rumo ao desastre, o Brasil não percebe que "o investimento corporativo no mundo todo é crescentemente orientado pela preocupação com o meio ambiente e as desigualdades sociais. E uma política horrenda com o meio ambiente é extremamente prejudicial à economia". Pérsio Arida escreveu há mais de quarenta anos o artigo "Pensando a Destruição da Natureza", acredita que tudo regrediu e que continuamos a praticar uma roleta russa.

Pária ambiental à beira do precipício econômico. O prognóstico não é exatamente o que os ufanistas pregam ou estão esperando.

JOSÉ RENATO NALINI é reitor da Uniregistral, docente da pós-graduação da Uninove e presidente da Academia Paulista de Letras - 2019-2020


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