Opinião

Metas brasileiras em ruínas

A nossa incapacidade transparece nos confrontos internacionais


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ANTONIO FERNANDES PANIZZA PRIMEIRO PLANO DIRETOR DE JUNDIAI
Crédito: divulgação

Dia 16 de dezembro a imprensa noticiou com dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), que "Esgoto só atende 54,1% dos brasileiros". Os números do abastecimento de água também são precários e não atende toda população, o que é vergonhoso.

A nossa incapacidade de decidir como resolver os problemas transparece nos confrontos estatísticos internacionais. Temos um país de extensão continental, com condições de ter o maior canteiro de obras para fazer quaisquer das metas dentre as muitas necessárias, e para isso estariam trabalhando os milhões de brasileiros desempregados.

Pelo que se apura nas notícias, a inércia maior reside nos poderes do governo central, cujas práticas envelhecidas só criam justificativas para os intermináveis adiamentos de decisões. Enquanto o mundo evolui com projetos bons e ágeis, nós continuamos apoiados em "medida provisória", assim chamada talvez para não precisar de elaboração rigorosa, indispensável em projeto bem formulado.

Para não nos perdermos em uma variedade de temas, vamos focalizar apenas a evolução do turismo em área urbana. No passado tivemos mostra de bons projetos em cidades como Salvador, Recife e Olinda, Paraty, Belém, São Luiz, Curitiba, Ouro Preto, São Miguel das Missões, Porto Alegre e outras. Mas, nas duas últimas décadas, pouco aconteceu, e estamos perdendo terreno para outros países.

No Caribe, Curaçau e San Juan de Porto Rico são bons exemplos, o México investe em Cancun e região, na Colômbia Cartagena deixou de ser dominado pelas drogas para ser uma cidade bela hospitaleira e com notável projeto urbano. No Peru, o fantástico conjunto Cuzco e Machu Picchu, que visitei em 1979, e hoje mais desenvolvido, é uma localidade turística exemplar.

No Brasil, afora umas poucas ações esparsas, temos grande quantidade de edifícios tombados e abandonados, e locais incrivelmente bonitos, mas sem a ajuda merecida. Por exemplo. A Ilha de Fernando de Noronha pode até ter tido projetos, mas está à mercê de erosões a com carência de melhorias urbanas. Outro exemplo é Álter do Chão a mais linda praia fluvial que se conhece, no rio Tapajós, que não pode ficar sem os cuidados que lhe faltam pelo risco de se deteriorar. Acrescentando neste relato as nossas praias urbanas, constata-se a falta de um plano turístico que favoreça o uso correto, afastando os provisórios e os clandestinos.

Completando esta matéria, não se pode ignorar o desprezo que aqui se tem por investimentos náuticos. Com imensa costa oceânica e a enorme extensão de rios, é incrível como o Brasil não tenha normatizado a construção de atracadouros, com proteção ambiental à semelhança de outros países. Os barcos são caros, mas os apreciadores são muitos, e com a dificuldade da prática no Brasil ela passa a ser no exterior, no Uruguai, no Caribe ou na Flórida.

O Brasil já mostrou que possui tecnologia para todo desenvolvimento mencionado neste relato, e o potencial de trabalho está à espera das decisões governamentais.

ANTONIO PANIZZA
é arquiteto e urbanista


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