Opinião

Sobre o novo normal

Se prestarmos atenção, a transformação pelo movimento está em tudo


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ARTICULISTA GLAUCO GUMETATO RAMOS ADVOGADO
Crédito: divulgação

O ano de 2020 foi marcado pela planetária e humanitária pandemia. Afetou a todos em todo o globo terrestre. Eu disse globo, não planisfério. Friso o ponto para que não se confunda a reflexão que segue com o devaneio de um "negacionista", o que efetivamente não sou.

Falar em "o novo normal" tornou-se comum para se referir ao porvir pós-pandêmico. É desses slogans que cumprem um relevante papel motivacional, típico de proposições mais abstratas do que concretas, um exercício de retórica. Acompanhe o raciocínio.

O mundo físico à nossa volta está sujeito à lógica da transformação decorrente do movimento normal do fluxo da vida. Pare um instante e pense na cotidianidade das coisas domésticas. Uma chaleira sobre o fogo, para o preparo de um simples café, fará com que a água nela despejada comece a borbulhar a partir de certa temperatura. A máquina que recebe a roupa suja para lavá-la, após o término de certo processo nos devolverá a roupa limpa. O ato de tomarmos banho potencialmente nos gera frescor e asseio corporal. E por aí vai.

Se sairmos da cotidianidade de nossas vidas perceberemos que a transformação pelo movimento está em tudo. Nem por isso, porém, cogitamos que após as transformações havidas estaríamos diante de um "novo normal". Sujeitas ao movimento, as coisas simplesmente mudam, transformam-se, alteram-se e isso, por si só, é o "normal".

Quando se busca pela etimologia da palavra "normal", verifica-se que surge da mesma raiz que gerou o substantivo "norma", vocábulo que está diretamente relacionado com "regra", "padrão", "costume". Normal, portanto, é algo que está de acordo com a regularidade, com a usualidade, com a naturalidade que é própria das coisas ou dos acontecimentos.

Nem mesmo quando se agrega o adjetivo "novo" à palavra "normal", gerando o "novo normal" como o clichê do momento, estaremos diante de algo diferente. Toda a dinâmica de nossas vidas repousa na transformação gerada pelo movimento, e isso basta para que se compreenda que o ato de viver é, em potência, pura e "normal" transformação.

Logo, não há nada mais "normal" do que as alterações pelas quais o ser humano e a humanidade passam, individual ou planetariamente. A transformação é a regra e a regra da transformação é o normal, que já mais será "novo". Do contrário, "normal" não seria.

Que 2021 seja um ano tão normal quanto foram os outros pelos quais a humanidade até aqui percorreu. E, claro, que sigamos a nos cuidar contra a covid-19 e outros infortúnios que fazem parte da normalidade de nossas vidas. Feliz ano novo!

GLAUCO GUMERATO RAMOS,
advogado, professor da Fadipa e membro da Academia Jundiaiense de Letras Jurídicas (AJLJ)


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