Opinião

Argentina Verde

Argentina passa a ser paradigma de país defensor dos direitos sexuais e reprodutivos


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Margareth Arilha
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2020 foi definitivamente, um ano inimaginável. Na Argentina não foi distinto. Maradona e Joaquin Lavado, pai da genial e conhecida personagem Mafalda, voaram da Terra. Ídolos da crítica e da irreverência nacional, e que se tornaram admirados e queridos por todo o mundo.

Mas, se é verdade que saem de cena, entraram em grandíssimo estilo e elegância as mulheres argentinas que defendem os direitos reprodutivos. De verde - a cor do lenço que se tornou símbolo da luta pelo direito ao aborto legal e seguro - com voz nas ruas, com história, com resiliência, com visão estratégica, e um pouco de sorte, subiram ao palco, iluminadas, promovendo o direito ao aborto naquele país, até a 14ª semana. Argentina passa a ser paradigma de país defensor dos direitos sexuais e reprodutivos das mulheres no mundo.

Representa hoje o êxito de uma batalha feroz e incansável e que se beneficiou também das mudanças político-partidárias existentes no momento naquele país. A saúde e os direitos das mulheres argentinas serão implementados em todo o território nacional. E as mulheres ativistas feministas devem ser saudadas e terão a chance de assistir a esse processo. Martha Rosenberg, Mabel Bianco, Maria Gutierrez, Silvina Ramos, Mariana Romero, Monica Gogna, Silvia Franco são alguns das centenas de nomes a serem brindados.

E nós, por aqui, nos mantemos fiéis às restrições de direitos. Declarou o Brasil que permanecerá na vanguarda do direito à vida e na defesa dos indefesos, não importa quantos países legalizem a barbárie do aborto indiscriminado, disfarçado de "saúde reprodutiva" ou direitos sociais ". Ocorre que ter ou não ter filhos, quer queiram quer não queiram, será sempre, em última instância, decisão das mulheres. Na ausência de outras alternativas contraceptivas efetivas, apenas não deveriam ter que pagar com a dor, o sofrimento ou com a própria vida por construírem uma posição de sujeitos em sua própria história.

Freud, o criador da psicanálise, diante da morte de sua filha, pela gripe espanhola, comenta que seu adoecimento e morte poderia ser atribuído a baixa imunidade decorrente de mal estar psíquico por ter que enfrentar uma gravidez indesejada, e de não ter podido aceder a um aborto em função da existência, na Áustria daqueles tempos, de uma lei abusiva contra as decisões de cada uma.

MARGARETH ARILHA
é psicanalista e pesquisadora do
Nepo (Núcleo de Estudos em População Elza Berquo) da Unicamp


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