Opinião

Celebrar sem estacionar

O consumidor aprendeu a reclamar e a exigir respeito a seus direitos


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HOMENAGEM DOUTOR JOSE RENATO NALINI NO FORUM
Crédito: divulgação

Os trinta anos do Código de Defesa do Consumidor têm sido comemorados como avanço civilizatório. E realmente é assim. Mas isso não pode inibir a sociedade no rumo do aprimoramento dessa cultura.

No momento em que surgiu, foi louvado como tutela da parte frágil, o consumidor entregue à sanha do fornecedor. Essa fase parece ter sido ultrapassada. O consumidor brasileiro não é mais o indefeso e solitário ser, que tem necessidades a atender e tem de se submeter às cruéis regras do mercado. Verificou-se que o consumidor aprendeu a reclamar, a exigir respeito a seus direitos e há episódios de verdadeiro abuso.

Agora é fortalecer um reequilíbrio dessa relação necessariamente tensa. A vida de quem produz não é fácil, assim como a do setor de serviços. O consumidor brasileiro precisa aprender, com urgência que os tempos reclamam, a se tornar consciente de que a vida não se resume a consumir.

O consumismo não deixa de ser um vício. Perigoso nestes tempos de exaurimento dos recursos naturais. Já houve um dia em que se podia falar em ascese. Hoje, a maior parte das pessoas sequer sabe o que isso significa. De qualquer forma, o aprendizado virá de forma traumática.

Ainda é reduzido o número de indivíduos que percebe uma relação íntima entre sua vida e a exaustão do planeta. Estes passam a preferir produtos sustentáveis, adquirem apenas aquilo de que efetivamente necessitam e se preocupam com o descarte.

Índice de desenvolvimento tardio é a proliferação de resíduos sólidos inadequadamente lançados às ruas, aos rios, ao mar. O gasto com a limpeza dos logradouros públicos, mais a coleta domiciliar de lixo e a sua destinação em "aterros sanitários" poderia ser convertido em promissor investimento na saúde, educação e saneamento básico.

O que falta para o brasileiro adquirir tal consciência? Educação. A chave mágica e milagrosa capaz de transformar a pior realidade num cenário compatível com toda a principiologia ética e democrática, a começar pela dignidade da pessoa humana.

O Estado também precisa acordar e implementar uma política mais enfática nesse campo. Exigir logística reversa e cobrar de quem suja, a sua parcela para a manutenção de serviços que seriam dispensáveis, fôssemos um povo educado.

José Renato Nalini é
Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e Presidente da ACADEMIA PAULISTA DE LETRAS - 2019-2020.


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