Opinião

Se fosse o contrário?

As pessoas devem ser analisadas pelo caráter e competência e não pela cor da pele


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ARTICULISTA EGINALDO ONÓRIO
Crédito: .

No ano de 2003, o cineasta Joel Zito e Araújo lançou o filme "Vista a minha pele", na qual os negros eram a classe dominante e os brancos foram os ex-escravizados e pobres. No enredo, Maria é uma menina branca e pobre que estuda num colégio particular graças a bolsa de estudo que tem pelo fato de sua mãe ser faxineira na escola. A maioria de seus colegas a hostiliza, por sua cor e por sua condição social, com exceção de sua amiga Luana, filha de um diplomata que, por ter morado em países pobres, possui uma visão mais abrangente da realidade: acessem esse link https://www.youtube.com/watch?v=LWBodKwuHCMé foi bem produzido e pedagógico.

Já no ano de 1995, foi lançado nos Estados Unidos um filme com o mesmo recorte, chamado "A cor da Fúria" tendo como artista principal John Travolta, mostrando uma realidade alternativa onde a elite socioeconômica é negra e os brancos vivem em guetos.

Dias atrás conversando com algumas pessoas a respeito dos temas que abordo nesta coluna, a hipótese foi ventilada e passamos a pensar em uma ficção, onde especialmente os que se portam como racistas, contra ações afirmativas, humilham e/ou negam oportunidade aos negros, de um dia para outro, acordariam negros e os negros o inverso. Nessa ficção, o Criador disse que as pessoas somente recuperariam a condição anterior quando não mais existisse desigualdade e as pessoas não mais agissem discriminando quem quer que seja.

Venho - sempre que posso - propondo a prática da empatia, todavia o observo que muitas pessoas se condoem, mas mantém o mesmo posicionamento. É muito triste!

Nos dias atuais o mesmo ocorre a partir do descaso com a ciência e cientistas assegurando a eficácia das vacinas, enquanto que outras pessoas insistem em não atender as recomendações sanitárias até que sejam atingidos pela doença. Por que aguardar tal ocorrência se é possível evitar?

Transportando para a questão racial e de descaso, o raciocínio é o mesmo. Somente com a inversão radical dos papéis é que as dificuldades seriam minimizadas ou eliminadas, porque sentirão na pele o que é ser negro ou sentir diretamente os constrangimentos experimentados, por exemplo, por pessoas com deficiência para embarque ou desembarque de veículos; defeitos nos pisos e calçamentos. Com elevado respeito às pessoas com deficiência, não se deseja isso, mas só quando ocorre é que o assunto é valorizado!

Viver é até fácil, o difícil é viver com as diferenças! Elas fazem parte da vida e reforçam a ideia e a busca pelo equilíbrio a ser conquistado na medida em que a convivência passa a ser pacífica e, cada qual, respeitando o outro e acordo com sua especificidade, condições e limitações.

As pessoas devem ser analisadas pelo caráter e competência e não apenas em razão da cor da pele, evitando a perda de preciosos talentos.

EGINALDO MARCOS HONORIO é advogado 

 


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